Editorial

A diplomacia na hora das escolhas

Se a Rússia não for travada, a UE pagará um preço muito alto.

A diplomacia poderá ajudar a resolver a crise ucraniana?

 No dia em que os líderes da UE se reúnem com a possibilidade da imposição de sanções à Rússia na agenda, ao mesmo tempo que americanos, europeus e russos se comprometem a continuar o diálogo, a pergunta é pertinente. Mas, para haver uma saída diplomática, é preciso que os intervenientes tenham objectivos claros.

Ora, até este momento, não se pode dizer que sejamos capazes de compreender exactamente o que querem russos, americanos e europeus. Dito de outra maneira, o lado ocidental está longe de estar unido. A praça financeira de Londres não quer ficar sem o dinheiro russo e Berlim tem feito tudo para evitar um extremar de posições. A hipótese de a UE recorrer a sanções não é clara, enquanto Washington admite a hipótese de sanções unilaterais. À margem destas movimentações no terreno, a Rússia aperta o seu controlo militar na Crimeia.

O problema de fundo é que Moscovo já denunciou tacitamente o acordo assinado em 1994, no qual se comprometia a respeitar a integridade territorial ucraniana. E os líderes ocidentais têm de ser claros em duas matérias. Primeiro, as fronteiras ucranianas são invioláveis e as tropas russas têm de retirar. Segundo, o Ocidente tem a obrigação de apoiar a transição democrática na Ucrânia. Nesse sentido, o empréstimo ontem anunciado por Durão Barroso foi um passo muito positivo.

As hesitações ocidentais quanto às sanções deixarão a Putin a sensação de que pode continuar a agir com impunidade. Não se sabe exactamente até onde a Rússia quer ir, mas é plausível dizer-se que a Rússia irá certamente até onde a deixarem ir. A União Europeia tem de perceber que precisa de escolher entre as consequências económicas de curto prazo e o risco de ter uma guerra nas suas fronteiras. Se a Rússia não for travada, a UE pagará um preço muito alto por não ter sido capaz de fazer as escolhas certas.

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