Oposição afasta entendimentos com o PSD e fala de "manobra eleitoral"

O dirigente do PS João Proença acusou neste domingo o líder do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de protagonizar uma "gigantesca manobra eleitoral" durante o XXXV congresso dos sociais-democratas. E insurgiu-se contra aquilo que considera "uma falsa tentativa de entendimento para com os socialistas".

"Quem quer fazer entendimentos não provoca divisões e ataques" e, "ao atacar o PS, o PSD e o primeiro-ministro estão a demonstrar, claramente, que propostas como as que fizeram hoje, de entendimento com o PS, não são realistas. São de pura manobra eleitoral", afirmou o dirigente socialista.

João Proença acusou o líder do PSD de ter “montado uma operação de campanha eleitoral”. "Foi uma gigantesca manobra, uma operação de campanha eleitoral. Grande parte do congresso, justamente por ser de campanha eleitoral, foi montada para atacar o PS e o seu secretário-geral”, declarou João Proença, sublinhando que “só se ataca quem incomoda".<_u13a_p><_o3a_p>

Na mesma linha, Armindo Miranda, do PCP, declarou à saída do congresso que o seu partido só “está disponível para negociar com todo aqueles que queiram pôr este Governo na rua e queiram acabar com esta política que dá cabo da vida do povo português, dos reformados”. <_u13a_p><_o3a_p>

“Estamos disponíveis para convergir em tudo que leve a que haja um Governo de gente séria, há homens e mulheres que estão disponíveis para ir para o Governo sem ser a pensar nos conselhos de administração do banco ou da empresa para onde vão a seguir ”, disse Armindo Miranda. “É preciso romper com esta politica de desastre que tão mal faz ao nosso povo”, reforçou.<_u13a_p><_o3a_p>

Cáustico foi também Arménio Carlos. O secretário-geral da CGTP insurgiu-se contra o discurso do primeiro-ministro, “centrado nas atenções de S. Bento e de costas voltadas para o povo e para o país”. <_u13a_p><_o3a_p>

“O que o senhor primeiro-ministro esteve aqui a dizer foi que os portugueses vão estar confrontados com um novo ajuste de contas com o estado social. O que se está a perspectivar com a redução do défice são novos cortes brutais na saúde, na segurança social e na educação - são novos cortes nos salários e nas pensões, foi o que ele nos esteve aqui a transmitir”, apontou. E acrescentou: ”Não ouvi uma palavra sobre as desigualdades, sobre o empobrecimento, sobre as injustiças sociais, sobre os trabalhadores, sobre os pensionistas, sobre os desempregados, rigorosamente nada sobre essa matéria. O que nós ouvimos aqui foi um discurso de circunstâncias que, neste caso, antecede as eleições para o Parlamento Europeu, centrado mais uma vez na redução do défice e naquilo que, na nossa opinião, é um ataque que se está a perspectivar contra os direitos dos trabalhadores”, disse Arménio Carlos.<_u13a_p><_o3a_p>

O líder da CGTP não viu nenhuma mensagem e esperança nem para os portugueses nem para o país, mas admite que o discurso de encerramento do conclave seja do agrado dos mercados. “Neste momento, Portugal está a gastar por dia 22 milhões de euros de juros da dívida”, justificou.<_u13a_p><_o3a_p>