Sondagem dá ligeira vantagem ao centro-esquerda nas eleições europeias

A confirmar-se, será a primeira vez desde 1994 que o grupo de centro-esquerda é o mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu.

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Estátua sobre unidade europeia fora do Parlamento Europeu em Bruxelas: o centro-esquerda está em vantagem nas eleições europeias Francois Lenoir/Reuters

O centro-esquerda poderá ser o grupo com mais votos nas eleições europeias, segundo uma sondagem da PollWatch. A verificar-se o resultado, seria a primeira vitória dos socialistas e democratas no Parlamento Europeu (PE) desde 1994. No entanto, a pequena margem sobre os conservadores e o facto de ainda faltarem dois meses para a votação fazem com que esta previsão deva ser encarada com cautela.

“Vai ser uma corrida muito renhida sobre quem vai ser o maior grupo no Parlamento Europeu” nas eleições entre 22 e 25 de Março, comentou Simon Hix, da London School of Economics, um dos académicos que lidera a PollWatch, que tem um modelo estatístico próprio em que junta sondagens nacionais e faz um ajustamento tendo em conta a especificidade das europeias.

Segundo a PollWatch, o grupo Socialistas e Democratas (S&D) obteria 221 eurodeputados num Parlamento Europeu de 751 (com mais deputados depois da entrada da Croácia), contra 202 do Partido Popular Europeu (PPE). Os socialistas sobem ligeiramente (têm actualmente 217 deputados) e os conservadores descem (têm hoje 288 eurodeputados).

Como a percentagem não é suficiente para uma maioria (o maior grupo nunca tem conseguido uma maioria absoluta), o cenário mais provável é um novo entendimento entre os grupos S&D e PPE, que tem dominado a grande maioria das legislaturas do PE, mas com uma diferente relação de forças.

O resultado foi, apesar de toda a incerteza, visto como encorajador para a candidatura do alemão Martin Schulz, actual presidente do PE, ao cargo de presidente da Comissão Europeia. Esta é a primeira vez que os partidos europeus nomeiam candidatos ao cargo antes das eleições europeias, esperando assim que o Conselho Europeu, que propõe o nome do candidato, acate a sua sugestão (no Tratado de Lisboa diz-se que o conselho nomeará o candidato “tendo em conta o resultado das eleições”.)

Enquanto o centro-esquerda já definiu o seu candidato, os populares só o deverão fazer no início de Março, embora haja já um nome forte, o  antigo primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker.

Muito atrás destes dois maiores grupos, segundo a PollWatch, surgem o grupo dos liberais (ALDE) com 64 eurodeputados, os Verdes com 44, os reformistas e conservadores com 42, e o grupo de extrema-direita/direita populista com 30.

É também certo que os partidos mais radicais conseguirão ganhar lugares.

Ainda que não seja o suficiente para ameaçar a maioria dos partidos do centro no Parlamento Europeu, estes partidos deverão obter votações sem precedentes, e ter mais eurodeputados do que alguma vez conseguiram.

A Frente Nacional em França (que segundo a sua presidente Marine Le Pen pretende “combater a União Europeia”) é um dos mais importantes, tanto pela possibilidade de ser o partido mais votado em França, como pelo grande número de eurodeputados que a França tem no PE. Poderá passar dos três actuais eurodeputados para 20.

No Reino Unido, o UKIP (Partido da Independência do Reino Unido, que defende mesmo a saída do país da União Europeia) poderá conseguir 18 eurodeputados, mais do que os 13 que obteve em 2009. 

Não só a direita, também a esquerda, beneficiam da desilusão de alguns eleitorados com a gestão europeia da crise.

Na Grécia, espera-se que o Syriza (coligação de esquerda radical) seja o partido mais votado, com sete eurodeputados, seguido do partido do primeiro-ministro, Nova Democracia, com seis, e do partido neonazi Aurora Dourada, com três lugares no PE.

Há ainda partidos imprevisíveis, como o Movimento 5 Estrelas do italiano Beppe Grillo, que sondagens dizem que poderá ser o primeiro ou segundo mais votado em Itália e conseguir 24 eurodeputados.