Os actores de Wes Anderson fazem tudo por ele

Grand Budapest Hotel em abertura no Festival de Berlim. Dia de uma conferência de imprensa com muito humor à mistura.

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Wes Anderson com boa parte do seu elenco hoje em Berlim Thomas Peter/Reuters

Quarenta e cinco minutos antes da hora prevista, e já o grande salão do hotel Hyatt, recinto das conferências de imprensa do Festival de Berlim, está a rebentar pelas costuras. Porquê? Deixemos falar Bill Murray.

"Prometem-nos longas horas de trabalho e salários baixos," diz o actor, que participou em praticamente todos os filmes de Wes Anderson. "É de loucos, perdemos dinheiro a trabalhar com ele. Acabamos por gastar mais em gorjetas do que recebemos."

Mais à frente, Edward Norton, repetente depois de Moonrise Kingdom, é confrontado com uma pergunta importante: "Porque é que Wes Anderson o põe sempre de farda?"

"O Wes gosta de ver um homem de calças justas e dragonas. E eu gosto de o agradar", responde o actor.

Aí está, então, a resposta: Wes Anderson, um dos autores mais aclamados do cinema moderno (ver: Os Tenenbaums, Um Peixe fora de Água, Darjeeling Limited, Moonrise Kingdom...), impecavelmente vestido de tweed cinzento e de corte de cabelo à pagem, apresenta em abertura de Berlim Grand Budapest Hotel, a sua nova longa-metragem. Com ele estão, no pódio do Hyatt, Murray, Norton, Ralph Fiennes, Jeff Goldblum, Edward Norton, Tilda Swinton, Bill Murray e Willem Dafoe, mais os dois jovens actores do filme – a irlandesa Saoirse Ronan (Expiação) e o estreante Tony Revolori – e o produtor Jeremy Dawson.

Estão todos muito bem-dispostos e esse bom humor contagia a sala, como quando Willem Dafoe recebe um piropo de uma jornalista mexicana que diz tê-lo achado muito sexy no papel de um sinistro vilão. Ou como quando Tilda Swinton, que surge irreconhecível como uma milionária de 84 anos, diz que "Madame D é como eu sou quando não me maquilho".

Estão lá todos, o que é um indicador da liberdade que Anderson dá ao seu elenco. E quase todos já tinham trabalhado com o realizador – à excepção de Fiennes, que confessa que nunca tinha lido nada como o guião que recebeu, escrito, aliás, à sua medida. (O elenco que não viajou até Berlim inclui F. Murray Abraham, Adrien Brody, Jude Law, Mathieu Amalric e Harvey Keitel.)

A escolha de Grand Budapest Hotel para filme de abertura não é casual. Trata-se de uma co-produção alemã, rodada inteiramente no país, quer no complexo de estúdios de Babelsberg quer na cidadezinha termal de Görlitz, onde o hotel local foi "requisitado" pela produção para alojar todo o elenco e a equipa técnica. Há por isso muito de “prata da casa” no filme de abertura da Berlinale.

O hotel Adlon, onde a produção assentou arraiais para a ocasião, tem à porta uma das Vespas cor-de-rosa da (ficcional) confeitaria Mendl, cuja hedonista courtisane de chocolate desempenha um papel-chave na trama, e recebe no átrio a maqueta da fachada do Grand Budapest Hotel usada no filme, construída e animada nos estúdios berlinenses de Babelsberg.

O bom humor, esse, continuou até ao fim. Quando perguntam a Bill Murray que tipo de relação tem com Anderson, a resposta não se fez esperar: “Bom, a paixão já se foi.”

“Estava mais a pensar em termos de relação pai-filho?...”, insiste o jornalista. “Os meus filhos não são tão bem comportados como o Wes,” responde, lacónico, o actor.