Governo diz que descida do desemprego é “sinal de esperança no futuro”

Pedro Mota Soares reage à descida da taxa de desemprego em Novembro para 15,5%. Oposição e sindicatos alertam que taxa ainda é demasiado elevada.

Pedro Mota Soares, que agora tem a tutela do emprego, vai conduzir os trabalhos na Concertação Social
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Pedro Mota Soares, ministro do Emprego e da Segurança Social. Rita Baleia

O ministro do Emprego e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, defende que a redução da taxa de desemprego em Portugal no mês de Novembro é um sinal de “confiança e de esperança no futuro”. Em reacção aos números divulgados esta quarta-feira pelo Eurostat, que dão conta de um recuo anual da taxa de desemprego de 17% da população activa para 15,5%, Mota Soares acrescentou que esses sinais “dão alento para continuarmos a trabalhar na recuperação da economia e a criar possibilidades para descer o desemprego ainda mais”.

Numa curta declaração disponibilizada no site do Governo, Mota Soares destacou ainda a existência de menos 91 mil desempregados do que em Novembro de 2012.

Do lado da maioria que apoia o Governo as reacções também foram positivas. O líder parlamentar do PSD entende a descida da taxa de desemprego para os 15,5% como “um apelo de motivação” para os portugueses acreditarem na recuperação do país. “Os números devem significar um apelo de motivação para todos acreditarmos que é, de facto, possível construir, na base do rigor das contas públicas e na base da contenção da despesa pública por parte do Estado, um país que apresente oportunidades de negócio e oportunidades de dinamização económica que cria postos de trabalho que possam durar”, afirmou o presidente do grupo parlamentar social-democrata, Luís Montenegro, citado pela Lusa.

Para Montenegro, os dados mostram “uma trajectória muito positiva de recuperação do emprego em Portugal” e vêm contrariar quem, no Verão, atribuía a descida do desemprego à sazonalidade.

Também o CDS-PP se refere a estes dados como uma “inversão” do ciclo económico. “Mais uma vez há uma redução [da taxa de desemprego], ainda que lenta, excessivamente lenta, mas muito longe das expectativas mais pessimistas que falavam de um desemprego galopante”, reagiu o líder parlamentar centrista, Nuno Magalhães, em declarações citadas pela Lusa.

PCP diz que números não têm em conta a realidade
Leitura contrária sobre o mercado de trabalho fez o PCP. Acusando o executivo de “fazer demagogia”, o deputado João Oliveira alertou para o facto de o nível de desemprego continuar “muito acima da média” da moeda única. Os dados do Eurostat, disse, “não têm em conta o efeito da emigração”, nem as pessoas que, sem terem encontrado trabalho, saem das listas dos centros de emprego.

UGT: desemprego continua muito elevado
A UGT reconhece que, apesar de nos últimos meses se ter registado uma diminuição da taxa de desemprego, “os valores atingidos em Portugal são bastante preocupantes” e exigem políticas diferentes “que não se reduzam a medidas de austeridade”.

“Infelizmente todos os dados convergem para uma situação cada vez mais dramática com que se confrontam os trabalhadores e as suas famílias, prevendo-se um agravamento da taxa de desemprego de 17,4% em 2013 para 17,7% em 2014, de acordo com as previsões do Governo constantes no Relatório do Orçamento de Estado para 2014”, refere a central em comunicado.