Carvalho da Silva lança movimento para as eleições europeias

O objectivo é a unidade de esquerda para influenciar um futuro governo. O manifesto é divulgado para a semana. A ideia é juntar famílias políticas diversas, do BE ao LIVRE, passando por católicos e ex-PCP. Carvalho da Silva é um dos promotores.

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Manuel Carvalho da Silva Nuno Ferreira Santos

Um movimento unitário, que agregue o Bloco de Esquerda, o partido em constituição LIVRE e personalidades independentes, entre elas ex-dirigentes do PCP, poderá vir a constituir-se para as eleições para o Parlamento Europeu e protagonizar uma lista eleitoral que pode vir a ser encabeçada pelo antigo líder da CGTP Manuel Carvalho da Silva.

A constituição deste movimento, que pretende assumir uma dinâmica unitária, tem como objectivo último determinar uma mudança da correlação de forças à esquerda e procurar criar condições para que nas próximas legislativas haja consensos de esquerda e uma plataforma programática comum que potencie um entendimento de governo que possa influenciar o PS.

O movimento deverá ser lançado esta semana e tem como base um documento que está neste momento em face de ultimação e de subscrição. Esse manifesto deverá chamar-se Pela Dignidade, pela Democracia e pelo Desenvolvimento: Defender Portugal.

De acordo com as informações recolhidas pelo PÚBLICO, têm sido realizadas reuniões para a elaboração do manifesto, que têm incluído quer representantes do Bloco de Esquerda, quer do grupo de pessoas que está a constituir o partido LIVRE. As reuniões têm sido exploratórias, mas têm sido feitas na perspectiva de que sejam encontrados consensos que permitam convergir num entendimento programático que sustente uma lista unitária ao Parlamento Europeu.

Em causa está já num primeiro momento travar o que possa ser uma perda de representação do Bloco de Esquerda, ou seja, com a perda de votos que o Bloco tem sofrido há uma consciência generalizada, embora não oficialmente assumida, de que dificilmente o Bloco consegue eleger três eurodeputados, como em 2009, quando Miguel Portas, Rui Tavares e Marisa Matias entraram no hemiciclo de Estrasburgo.

A ideia é procurar já nas europeias evitar que se perca a força eleitoral do Bloco nas representações de esquerda. A análise que é feita, e que foi explicada ao PÚBLICO, é a de que quer o PS quer o PCP deverão manter votações ou mesmo aumentá-las, mas há a preocupação com a possibilidade de haver votantes de esquerda que estejam desgastados com a representação partidária e que se refugiem na abstenção.

O facto de estar em formação o novo partido protagonizado até agora por Rui Tavares não parece ser uma solução vista como suficientemente forte para garantir o desbloquear dos impasses à esquerda. Daí que haja agora este manifesto para procurar contribuir para a criação de uma dinâmica política que tenha como objectivo último influenciar a formação de um governo e as políticas que venham a ser adoptadas após as próximas legislativas.

A ideia é potenciar votos, canalizar e capitalizar com o descontentamento do eleitorado de esquerda e procurar criar uma dinâmica unitária que prepare e se projecte nas legislativas. Essa mesma estratégia deverá estar assumida no manifesto a divulgar na próxima semana.

O texto deverá demarcar-se da política de austeridade e da intervenção da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional. Deverá ser também enfatizada a preocupação com os riscos para a democracia que a política de austeridade em curso pode vir a comportar.

A ideia da unidade abrangente com o objectivo de encontrar soluções de governação à esquerda será um traço determinante deste documento. Isto no pressuposto de que há bases que previamente sejam aceites como ponto de partida para qualquer acordo.

Os conteúdos que terão assim de integrar qualquer futuro acordo deverão passar pelo respeito pela democracia e pela Constituição, a defesa dos direitos dos cidadãos, a renegociação da dívida, a garantia da defesa dos direitos laborais, o aumento do salário mínimo e a negociação colectiva, o aumento da redistribuição da riqueza e a reforma do sistema fiscal. E também a defesa do Estado social e do ensino, Saúde e Segurança Social públicas.