“Vivemos um momento de viragem económica”, reitera Pires de Lima

Ministro da Economia, que está a ser ouvido no Parlamento, esta terça-feira, diz que o tempo se encarregará de comprovar o “novo ciclo de retoma”.

António Pires de Lima desde há muito que critica a importância dada às finanças em detrimento dos estímulos à economia
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Pires de Lima admite que “excessiva burocracia” tem sido um entrave às empresas Rui Gaudêncio

O ministro da Economia afirmou nesta terça-feira no Parlamento, na discussão na especialidade do Orçamento do Estado (OE) para 2014, que Portugal vive “um momento de viragem económica”, que deveria “ser motivo de satisfação para todos os portugueses e nomeadamente para todos os agentes políticos”, aproveitando para deixar alguns recados aos partidos da oposição.

Numa intervenção em que elencou alguns dos últimos indicadores económicos, como a redução da taxa de desemprego (para 15,6% no terceiro trimestre) e o aumento das exportações (4% nos primeiros nove meses do ano), Pires de Lima referiu que, “mesmo tendo consciência das dificuldades que muitos portugueses ainda atravessam (…), esta viragem económica é seguramente um forte motivo de esperança”.

O ministro da Economia afirmou que não vê “grande vantagem em alimentar uma discussão retórica porque o tempo é o melhor aferidor da realidade”. “Teremos ao longo deste trimestre e do ano a oportunidade de verificar se aquilo que o Governo tem vindo a anunciar, o início de um novo ciclo de retoma económica, tem aderência à realidade ou se, pelo contrário e como parece acreditar a oposição, todos estes sinais não passam de uma mera ilusão conjuntural”, disse.

Em reacção, o deputado socialista Rui Paulo Figueiredo referiu que o país “está muito longe do milagre económico que o senhor ministro anunciou”, acrescentando que o PS “não aceita a cantilena propagandística de que não reconhece sinais positivos” e que o partido “também está orgulhoso dos portugueses e dos empresários, apesar dos erros do Governo”.

Rui Paulo Figueiredo confrontou Pires de Lima com algumas das medidas que têm vindo a ser anunciadas pelo executivo, mas que não foram ainda postas em prática, como a criação do banco de fomento; ou que têm gerado críticas, como é o caso do programa Revitalizar (associado à recuperação de empresas pré-insolventes por via judicial).

O deputado socialista assumiu que existem “algumas ténues melhorias” dos indicadores económicos, mas destacou que, apesar da redução da taxa de desemprego, a população empregada desceu 2,2% face a 2012, e ainda que os combustíveis foram novamente determinantes para o aumento das exportações.

“Não acho que o PS esteja em condições de me dar lições de seriedade política”, respondeu Pires de Lima, enumerando os diferentes sectores que viram a venda de bens ao estrangeiro crescer até Setembro. “Não se irritem porque este é o comportamento real das empresas portuguesas”, afirmou.

Pires de Lima acabou por admitir que “há ainda muito por fazer”. E, por isso, apelou directamente “ao PS e aos restantes partidos” para a criação de “uma agenda económica” para o país.