Ministério da Educação recusa fazer leituras descontextualizadas dos rankings das escolas

David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação, pede ao MEC que revele mais informação.

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João Casanova de Almeida Miguel Manso

Os rankings dos estabelecimentos de ensino devem ser analisados apenas “em contextos equivalentes”, defendeu nesta segunda-feira o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, que recusou fazer quaisquer comparações entre os resultados obtidos pelas escolas públicas e privadas.

“A interpretação que para nós tem importância fazer é comparar as escolas que actuam em contextos semelhantes. A importância retira-se das boas práticas que alguns possam ter introduzido, para que essas boas práticas possam ser do conhecimento das outras escolas que actuam em contextos semelhantes”, disse Casanova de Almeida, à margem da sessão de abertura das Jornadas de Autonomia, organizadas pela Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares na Escola Secundária Inês de Castro, em Vila Nova de Gaia.

Para David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), o Ministério da Educação e Ciência (MEC) deve proporcionar "melhor informação e mais detalhada" na divulgação dos rankings de estabelecimentos de ensino: "Tem de haver a publicação desta informação, mas o ministério tem de proporcionar melhor informação, mais detalhada, até para que se possa fazer o cruzamento de variáveis e se possam ter leituras mais complexas" dos resultados obtidos pelas escolas, disse à agência Lusa.

"A injustiça não está no ranking, mas nas leituras que se fazem, muitas vezes precipitadas, desses rankings. É como as anedotas picantes, a maldade está sempre em quem ouve nunca está em quem diz", acrescentou.

No dia em que assinou mais 28 contratos de autonomia, perfazendo um total superior a 170 agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, Casanova de Almeida defendeu a ideia de que “o caminho da autonomia” será exactamente o do desenvolvimento de “metodologias de trabalho verdadeiramente adaptadas ao contexto” de cada escola. "Um dos objectivos é que as escolas percebam que podem actuar de uma forma diferenciada, com muito mais flexibilidade, mesmo a nível curricular, quando estabelecem contratos de autonomia”, explicou.

Até ao final do ano, mais 52 escolas vão assinar contratos com o MEC, conseguindo-se nessa altura ter “quase 30% dos agrupamentos com autonomia”. Os directores das escolas vão ter acesso a “formação na área financeira”, ainda este ano, e também a cursos de liderança, no decorrer do presente ano lectivo.

Especial Rankings em http://www.publico.pt/ranking-das-escolas

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