Greve com "proporções superiores" em relação a outras na Educação

FNE e Fenprof falam a uma só voz em adesão elevada. Muitas escolas fecharam em todo o país.

Foto
A Fenprof fala em 70% a 80% de escolas fechadas em todo o país Enric Vives-Rubio

Dados da Fenprof indicavam, às 11h30, que cerca de 55 escolas básicas e secundárias estariam fechadas na Grande Lisboa, incluindo o agrupamento de escolas António Gedeão, em Almada, Casquilhos e Mendonça Furtado, no Barreiro, e Vale da Amoreira, na Moita.

Na região centro, há cerca de 145 escolas sem aulas e 28 em greve parcial, numa percentagem de adesão entre os 20% e os 75%. Na zona sul estavam encerradas 64 escolas e 24 em funcionamento parcial, com uma taxa de adesão à greve entre os 7% e os 78%. Cinco escolas estavam fechadas nos Açores. Ainda por apurar está a região norte.

Em Lisboa, o agrupamento de escolas Vergílio Ferreira, composto por nove edifícios, estava esta manhã a meio gás. Pelas 11h, a directora da escola, Maria Manuela Esperança, disse ao PÚBLICO que a Vergílio Ferreira, de 3.º ciclo e secundário, está sem actividades lectivas, apesar de só cerca de 25% dos professores terem aderido à greve.

“Não tínhamos funcionários para garantir a abertura da escola. Tinha apenas uma funcionária contratada ao início da manhã”, disse.

Nas escolas de 2.º e 3.º ciclo de Telheiras também não há aulas, mas de manhã não foram desmarcadas as cinco visitas de estudo que estavam previstas. Os alunos saíram acompanhados pelos professores em direcção ao Aquário Vasco da Gama e à praia de São João do Estoril.

“Impacto fortíssimo”
Em declarações à agência Lusa, Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, remeteu para mais tarde a divulgação de novos dados, adiantando que “a greve está a ter um impacto fortíssimo na Educação, com as escolas sem aulas e encerradas um pouco por todo o país”.

Em comunicado enviado às redacções, também a Federação Nacional da Educação (FNE) diz que esta greve está a ser um sucesso e “assume proporções superiores a outras anteriores com o mesmo âmbito”. Saudando todos os trabalhadores em greve, a FNE estende ainda palavras aos que não aderiram apenas porque “as condições precárias económicas em que se encontram os impediram” de o fazer.

Em causa, para a Fenprof, está a proposta de Orçamento do Estado para 2014, o desemprego dos docentes, os cortes salariais na função pública, o programa de despedimentos que classifica de “disfarçado sob a capa de rescisões amigáveis”, a prova de acesso à profissão e o novo estatuto do ensino privado. Para Mário Nogueira, a manterem-se estas políticas, pode estar a colocar-se “em causa o futuro das pessoas e da Educação, o ensino de qualidade e a escola pública”.