Kerry admite que EUA foram "longe de mais" na espionagem

“Impedimos que caíssem aviões, que explodissem edifícios e que pessoas fossem assassinadas”, justificou. no entanto, o chefe da diplomacia norte-americana.

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Kerry afirma que espionagem evitou atentados DAVID BEBBER/AFP

Os Estados Unidos foram por vezes “longe de mais” em matéria de espionagem, reconheceu o secretário de Estado, John Kerry, que defendeu a vigilância de comunicações como instrumento de luta anti-terrorista.

“Em certos casos, admito, como o fez o Presidente, algumas das acções foram longe de mais e vamos certificar-nos de que isso não voltará a acontecer”, disse, numa conferência em Londres, na qual participou, por vídeo, a partir de Washington.

Apesar da alusão a Obama, é a primeira vez que um responsável governamental norte-americano reconhece de modo tão explícito excessos nas controversas práticas de intercepção de comunicações e dados pela NSA (Agência Nacional de Segurança) dos Estados Unidos.

Numa intervenção transmitida na presença do seu homólogo britânico, William Hague, o chefe da diplomacia norte-americana justificou demoradamente a intercepção de comunicações como instrumento de luta contra o terrorismo e prevenção de eventuais atentados.

John Kerry evocou os atentados de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, de Março de 2004 em Madrid e de Julho de 2005 em Londres e assegurou que as autoridades norte-americanas evitaram numerosas acções desse género graças à intercepção de comunicações e recolha de informações.

“Impedimos que caíssem aviões, que explodissem edifícios e que pessoas fossem assassinadas, porque estávamos em condições de estar ao corrente dessas intenções”, alegou. “Garanto-vos que neste processo não foram afectadas pessoas inocentes” , afirmou também.

“Esforçámo-nos por recolher informações. E sim, em alguns casos, isso foi longe de mais inadequadamente”, disse Kerry sobre o escândalo de espionagem que causou descontentamento e arrefeceu o relacionamento com os Estados Unidos de países como o Brasil e aliados europeus, designadamente Alemanha e França.

Foi, entre outras revelações, noticiado que os Estados Unidos espiaram 35 dirigentes de países estrangeiros. Nos últimos dias foram reveladas por jornais de França, Alemanha, Espanha ou Itália casos de intercepção de milhões de comunicações pela NSA.

Na declaração de quinta-feira, Kerry disse que Obama está “empenhado em tentar clarificar” a situação e “procedeu a um exame [dessas práticas] para que ninguém se sinta enganado”.