Directores: mais vale o Governo assumir que quer fechar as escolas

Os dirigentes das duas associações de directores escolares afirmam que não há por onde cortar e avisam que as escolas estão a funcionar "no limite".

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Enric Vives-Rubio

Os dirigentes das duas associações de directores escolares afirmaram nesta quarta-feira que não vêem forma de o ministro cortar 500 milhões de euros no Ensino Básico e Secundário e consideraram que, depois de conhecida a proposta de Orçamento do Estado, as expectativas são piores do que antes podiam imaginar. “Apetece dizer que, por este andar, mais vale o Governo assumir que quer fechar as escolas públicas – isso é que era uma poupança, 100 %!”, ironizou Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE).

Manuel Pereira e Filinto Lima, que dirige a Associação Nacional de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), frisaram que promover “uma melhoria de gestão de recursos”, como está escrito no documento conhecido na terça-feira, é uma impossibilidade. "A experiência diz-nos que melhorar a gestão de recursos, para este ministério, é extingui-los – extinguir recursos e extinguir serviços – e eu não consigo imaginar como é que isso se pode fazer, porque quer os docentes quer os funcionários estão rentabilizados até ao limite dos limites” frisou Manuel Pereira.

Filinto Lima usou o mesmo termo. Considerou que o Ministério da Educação e Ciência (MEC ) “já levou ao limite a estratégia de melhoria de gestão que se traduz em menos profissionais, cada um com mais trabalho”.

“Estarão a pensar em giga-agrupamentos, em mais alunos por turma? Não pode ser, não pode. Mesmo eu, que sou optimista, tenho de confessar que estou pessimista - não sei o que será da escola pública”, enfatizou o dirigente da ANDAEP.

Este director disse nunca ter ouvido falar em qualquer professor que quisesse beneficiar das rescisões por mútuo acordo, Manuel Pereira ironizou que, “por este andar, talvez o MEC consiga alguma adesão a essa figura, já que os professores andam cansados, desmotivados, alguns desesperados” com a situação em que se encontram.

Os dois dirigentes consideraram contraditório que no documento apresentado na terça-feira se fale em ensino de qualidade e nas “melhores práticas internacionais”. Filinto Lima afirmou que “está na altura de o Governo acabar com esse discurso de que a Educação é importante”, Manuel Pereira disse que essas afirmações “já são ridículas, face ao desinvestimento no sector”.

O dirigente da ANDE sublinhou ainda como “uma mau sinal, pela mensagem que mais uma vez transmite”, o aumento previsto das transferências para o Ensino Particular e Cooperativo, que passa de 238 milhões de euros em 2013 para 240 milhões. Na sua perspectiva, “O MEC insiste em estimular de forma velada o ensino privado em detrimento da Escola Pública”, "que aliás", acrescentou, “prejudica de forma clara e nada velada”.

Já o director executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEPC), Queirós e Melo, diz que o aparente aumento de transferência de verbas para o privado, que consta da proposta de Orçamento do Estado (OE), “corresponde a um mero acerto de contas”.

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