“Seguro escolheu o lado direito do poder”, diz Semedo

O BE vai votar contra o Orçamento de Estado de 2014 por considerar que é uma "antecâmara do segundo resgate" na qual acredita que o PS entrará.

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O BE considera que o OE é a “antecâmara para o segundo resgate” Nuno Ferreira Santos

“Com o Partido Socialista de António José Seguro, o Bloco de Esquerda não tem qualquer possibilidade de entendimento”. Foi desta forma que o coordenador nacional do BE, João Semedo, rompeu com a ideia de uma possível coligação com o PS na sequência dos resultados das próximas eleições legislativas.

Na conferência de imprensa que se seguiu à Mesa Nacional do Bloco, ao início da noite deste sábado, João Semedo, defensor de um governo virado à esquerda, deixou bem clara a posição do partido. “Quando oiço Francisco Assis dizer que o PS deve assinar, deve fazer, deve apoiar um segundo resgate, é o mesmo que dizer que o PS não olha para a sua esquerda, o PS só olha para a sua direita e isso inviabiliza qualquer tipo de entendimento”, afirmou.

Da Mesa Nacional do Bloco saem duas decisões centrais: votar contra o Orçamento do Estado para 2014 – considerado pelo partido como “uma antecâmara para o segundo resgate” – e promover jornadas de esclarecimento popular por todo o país. Estas jornadas populares pelo vão ter como principal objectivo esclarecer os portugueses em relação ao orçamento que vai ser apresentado no Parlamento na próxima terça-feira e coincidirão com o debate do diploma.

Para o BE, o Orçamento “ultrapassa todas as linhas vermelhas, porque não apenas atingirá pela primeira vez os titulares de pensões de sobrevivência, mas porque atingirá todos os portugueses, porque lhe retira salários, pensões e reformas, mas também pela degradação dos orçamentos dos serviços públicos”.

A continuação da liderança bicéfala e a implementação do partido a nível local para contrariar a “derrota” assumida nas eleições autárquicas foram também reafirmadas pelo coordenador do BE durante a conferência de imprensa. A Mesa Nacional do Bloco aprovou também um apelo à participação popular na manifestação da CGTP, no dia 19 de Outubro, e na manifestação convocada pelo movimento Que se Lixe a Troika, no dia 26 deste mês.

Acerca da polémica entre a CGTP e o Governo, Semedo disse confiar na avaliação que o sindicato está a fazer da situação e acrescentou não ver qualquer motivo para que a marcha na Ponte 25 de Abril não se realize. “Este Governo não tem simpatias pelo movimento sindical e tudo faz para atrapalhar a vida e a organização das manifestações e de outras actividades sindicais, mas eu julgo que o Governo está enganado e vai arrepender-se, e isto vai significar mais mobilização para o dia 19 de Outubro”, acrescentou.

Semedo revelou-se incrédulo com as notícias que indicavam que seria um membro CDS a apresentar a proposta relativa às pensões de sobrevivência: “Isso seria absolutamente intolerável, mas neste governo tudo é possível. E com o CDS e com o Paulo Portas também tudo é possível”, disse. Para acrescentar: se Portas “respeitasse a sua palavra já há muito tempo que se tinha demitido.“