PSP garante segurança de protesto da CGTP onde quer que ele se realize

Central sindical mantém manifestação de dia 19 para as ponte 25 de Abril, apesar do parecer desfavorável do conselho de segurança daquela estrutura.

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Estão inscritas cerca de 37 mil pessoas Rui Gaudêncio/Arquivo

“O que for feito terá seguramente a presença da PSP, seja onde for”, afirmou nesta terça-feira o porta-voz do Direcção Nacional, comissário Paulo Flor. “Vamos aguardar com a expectativa que o caso merece para fazer o que tem de ser feito no sentido de garantir a ordem pública”, acrescenta o comissário, sublinhando que “a PSP adopta sempre o policiamento necessário para as condicionantes associadas ao evento”.

A PSP esteve reunida na tarde desta terça-feira com dirigentes da CGTP para falar sobre as medidas de segurança a adoptar na manifestação de dia 19. À TSF, Libério Domingues, da União de Sindicatos de Lisboa, disse que a polícia manifestou "um conjunto de preocupações que são perfeitamente plausíveis" e aguarda agora uma decisão final.

A central sindical mantém o protesto na ponte 25 de Abril apesar do parecer desfavorável emitido pelo conselho de segurança desta infraestrutura (que inclui Lusoponte, Refer, Estradas de Portugal, Protecção Civil, Gabinete de Coordenação e Segurança Nacional e Instituto da Mobilidade Terrestre), alegando “diversos riscos” relacionados com a segurança. O parecer, como o PÚBLICO noticiou, não é vinculativo.

“Não há nenhuma condição objectiva que ponha em causa esta marcha. Nós dizemos que se mantém naturalmente, nem podia ser de outra maneira”, afirmou na segunda-feira o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos. O dirigente comparou a manifestação a eventos desportivos já realizados na ponte, como a Meia Maratona de Lisboa, e considerou que o “problema deixou de ser técnico e passou a ser político”. “O que é normal para uma corrida [de atletismo] não é para uma manifestação”, criticou.

Meia Maratona é comparável a manifestação?
Há 23 anos que a ponte 25 de Abril recebe, em Março, dezenas de milhares de pessoas que, a andar ou a correr, percorrem o tabuleiro de mais de dois quilómetros sobre o rio Tejo, desde a Praça da Portagem (na margem Sul) até Alcântara. A manifestação da CGTP terá o mesmo percurso.

O PÚBLICO tentou perceber o que está por trás da organização de um evento como a Meia Maratona de Lisboa, a cargo do Maratona Clube de Portugal. Não foi possível obter dados concretos sobre os meios envolvidos, mas é certo que a logística necessária para cortar, por um dia, o principal acesso rodoviário da margem Sul à capital é de grande monta.

“Envolve brigadas anti-terrorismo, segurança marítima e terrestre nos acessos e ao longo de toda a ponte”, explica um responsável do Maratona Clube de Portugal. São investidos “milhares de euros” na operação de segurança – patrocinados por privados –, nomeadamente no pagamento aos agentes da PSP e GNR, além da segurança privada, e na preparação da ponte para receber os participantes, cerca de 35 mil pessoas.

É preciso cortar os acessos rodoviários ao tabuleiro e definir alternativas, manter um corredor de segurança para casos de emergência e garantir que ninguém tenta aceder ao tabuleiro inferior ferroviário. E, no limite, garantir que ninguém tenta atirar-se da ponte. Para os imprevistos, a organização tem um seguro. Tudo isto começa a ser planeado com um ano de antecedência.

Incerteza no número de manifestantes
Em comunicado divulgado na segunda-feira, o Sistema de Segurança Interna menciona os “diversos riscos” que levaram ao parecer desfavorável do conselho de segurança da ponte, cuja apreciação foi unânime. Um dos riscos identificados é o “número desconhecido de participantes” na manifestação.

No caso da Meia Maratona de Lisboa, a regra é: só os inscritos e com dorsal podem aceder ao tabuleiro. Mas Armando Farias, da CGTP, garante que não é bem assim. “Em qualquer evento desportivo na ponte há inscrições e depois há milhares de pessoas que participam sem se inscreverem. Até a minha mulher já participou e não se inscreveu", afirma.

O dirigente sindical encara esta manifestação na ponte como “qualquer outra”. “Não é mais complexa, é exactamente a mesma coisa”, afirma, lembrando que a central tem recursos humanos para assegurar a organização, em coordenação com a PSP, como tem feito até aqui.

Para este dirigente, o problema é outro. “A única razão [para o parecer desfavorável] é política, o Governo quando ouve falar em 25 de Abril fica nervoso”, afirma, sublinhando que está em curso uma “tentativa de coarctar a liberdade de manifestação” e um “veto político”. Armando Farias lembra que "a manifestação está legalizada" e a CGTP continua a mobilizar os trabalhadores para a marcha.

Uma outra manifestação está prevista para o mesmo dia na Ponte do Infante, no Porto, mas até agora não é conhecido qualquer entrave à realização deste protesto.