Menor queda do investimento e exportações explicam saída da recessão

INE confirma crescimento de 1,1% no segundo trimestre. Procura interna amenizou ritmo de descida.

Sucessos nas exportações podem não significar ganhos efectivos de competitividade das empresas
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Perspectivas económicas mantêm-se estáveis Nelson Garrido

O abrandamento acentuado da queda do investimento e do consumo privado durante o segundo trimestre deste ano foi a principal razão para o desempenho mais positivo registado pela economia portuguesa, que conduziu à interrupção do período de recessão técnica que se verificava desde 2010.

Os dados publicados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística confirmam os valores de variação do PIB que tinham sido revelados na estimativa rápida apresentada pela mesma instituição em Agosto: o PIB cresceu 1,1% no segundo trimestre face ao período imediatamente anterior. Em termos homólogos, a variação do PIB registou uma ligeira revisão em baixa de -2% para -2,1%. No primeiro trimestre, a economia tinha caído 0,4% face ao trimestre imediatamente anterior e 4,1% face ao período homólogo do ano anterior.

A principal novidade dos dados agora divulgados é a explicitação das componentes do PIB que conduziram a este resultado global. A grande diferença está na evolução da procura interna (investimento mais consumo) que passou de uma diminuição homóloga de 6% no primeiro trimestre para apenas 2,6% no segundo.

Este abrandamento da queda foi especialmente visível no investimento que passou de uma variação negativa de 15,9% para 2,3%. O investimento em construção deu um contributo significativo para este resultado.

A queda do consumo privado passou, em termos homólogos, de 4% para 2,6%, enquanto no consumo público passou-se de uma diminuição de 3,7% para 2,8%.

Contrariando as expectativas, o contributo da procura externa líquida (exportações menos importações) para a variação do PIB foi menos significativo no segundo trimestre do que nos trimestres anteriores. Passou de 1,9 pontos percentuais nos três primeiros meses do ano para 0,4 pontos.

Isto não significa que não tenha havido uma aceleração significativa das exportações, que passaram de uma variação homóloga de 0,7% para 7,3%. O problema é que, ao mesmo tempo, as importações registaram uma melhoria do desempenho ainda mais radical, passando de uma contracção de 4,2% no primeiro trimestre para um acréscimo de 6,3% no segundo. Tanto no caso das exportações, como no das importações, o INE dá conta do efeito de subida provocado pelo facto de a Páscoa se ter celebrado este ano em Março, enquanto em 2012 tinha sido em Abril.