Portugal paga taxas mais altas em emissão de dívida pública

Tesouro português colocou no mercado títulos no valor de 1500 milhões de euros.

Maria Luís Albuquerque, ontem, no balanço público das negociações com os bancos, com Moreira Rato
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João Moreira Rato, presidente do IGCP, e Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças Nuno Ferreira Santos

Portugal conseguiu emitir esta quarta-feira os 1500 milhões de euros que pretendia em bilhetes do tesouro, mas as taxas de juro obtidas ficaram acima das registadas em emissões anteriores.

De acordo com a Agênda de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP, foram colocados 1200 milhões de euros de títulos de dívida com uma maturidade de um ano a uma taxa de juro média de 1,72%. Este valor é mais alto do que os 1,232% registados numa emissão com a mesma maturidade realizada pelo Estado português há cerca de dois meses.

O Tesouro realizou também uma emissão de 300 milhões de euros em títulos a cinco meses. Neste caso, a taxa de juro média obtida foi de 1,045%. A emissão mais semelhante a esta feita recentemente foi a de bilhetes de tesouro a seis meses no passado dia 19 de Junho. Aí, a taxa obtida foi de 1,041%, um valor ligeiramente mais baixo, apesar de o prazo ser mais longo em um mês (e portanto potencialmente com taxas mais altas).

Com estes resultados, o Estado português fica assim, em comparação com as emissões dos últimos meses, com encargos mais altos para suportar nestes empréstimos obtidos junto do mercado. 

Esta subida de taxas nas emissões desta quarta-feira já era esperada, uma vez que estão em linha com aquilo que vinha acontecendo nas últimas semanas no mercado secundário (onde os detentores de títulos de dívida os trocam entre si). Desde o início do mês, quando a demissão de Vítor Gaspar desencadeou um clima de instabilidade política em Portugal, que as taxas de juro da dívida portuguesa tem estado a subir em todos os prazos.

As emissões realizadas nesta quarta-feira são de prazos curtos e realizam-se sempre na terceira quarta-feira de cada mês. As Finanças não colocam de parte a realização de novas emissões de longo prazo, mas estão à espera de melhores oportunidades no mercado. Nesta fase, tendo em conta o que está a acontecer no mercado secundário, as taxas de juro que seriam obtidas numa emissão a dez anos poderiam ultrapassar os 7%.  

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