Reacções ao discurso de Cavaco Silva

Seguro optou por enviar uma “palavra de confiança e de esperança” aos portugueses
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Seguro optou por enviar uma “palavra de confiança e de esperança” aos portugueses Rui Farinha

António José Seguro responde aos apelos para o consenso com o amplo compromisso que já existe na sociedade portuguesa contra políticas de austeridade.

No final das comemorações do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses, a maioria parlamentar PSD/CDS elogiou o discurso do Presidente da República, quer pela aposta na agricultura, quer pela necessidade de o país preparar o futuro pós-troika.

Teresa Leal Coelho, vice-presidente do PSD, disse que gostou da intervenção do chefe de Estado, proferida no final da manhã desta segunda-feira em Elvas, e que esta se arrisca mesmo a inaugurar “uma nova vida em Portugal em termos de discursos”.

Foi um discurso, na opinião da social-democrata, “muito responsável e muito galvanizador”, ao contrário das “claques de oposição” ao Governo que proliferam no espaço político. "Muitos portugueses ainda não perceberam que este é o caminho para reconverter Portugal", afirmou Teresa Leal Coelho, para concluir que o primeiro-ministro é um homem ao serviço do país e que o "Governo não vai falhar".

“O desemprego tem de ser combatido com economia e isso faz-se no sector primário com a agricultura”, disse ainda a dirigente do PSD sobre o tema eleito por Cavaco Silva para o discurso oficial.

Já o secretário-geral do PS, António José Seguro, disse que não queria comentar o discurso do Presidente da República, mas apenas enviar uma “palavra de confiança e de esperança” aos portugueses.

Questionado sobre os apelos para o consenso, feitos por Silva Peneda e, logo depois, de modo mais subtil pelo Presidente, Seguro afirmou que há neste momento um “compromisso de mudança” na sociedade contra mais medidas de austeridade e pelo crescimento e emprego.

Cecília Meireles, deputada do CDS, elogiou igualmente a intervenção de Cavaco Silva, “um discurso realista e virando para o futuro”, reclamando a importância que o CDS atribui à agricultura. A centrista destacou também aquele que deve ser, desde já, o principal objectivo do país: “preparar um período de autonomia financeira e de autonomia plena e encontrar nas soluções, tanto do presente como do futuro, um consenso social".

Da parte do PCP, o deputado António Filipe considerou que o discurso do presidente “não corresponde aos problemas e necessidades do país”. Uma intervenção "sectária" e de conteúdo "discutível", nomeadamente ao apontar os sucessos da agricultura, considerou o comunista.

"Aquilo que hoje preocupa os portugueses, que é a crise em que vivem, os problemas que os afectam, o desemprego, a recessão económica, não tiveram eco, de facto, neste discurso do 10 de Junho”, avaliou António Flipe. 

O BE foi o único partido que prescindiu de participar nas comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.