FMI reconhece que cometeu erros “grosseiros” na ajuda à Grécia

Organização admite que se subestimaram os impactos da austeridade.

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) admitiu nesta sexta-feira que cometeu erros “grosseiros” na forma como lidou com a crise da dívida na Grécia nos últimos três anos.

Num documento classificado como “ultraconfidencial”, que o jornal The Wall Street Journal (WSJ) leu e que entretanto foi divulgado oficialmente, os técnicos da organização dirigida por Christine Lagarde assumem que o FMI “subestimou” os “estragos” que as suas políticas poderiam causar à economia e à sociedade gregas. 
O Fundo acaba, assim, por reconhecer que as doses excessivas de austeridade acabaram por se traduzir num agravamento contínuo de uma recessão económica que não se sabe quando irá terminar.
 
O jornal norte-americano revelou que uma versão não completa do documento preparado pelos técnicos do FMI será divulgada nesta sexta-feira pela organização sediada em Washington. E nela será transcrita a passagem em que o Fundo reconhece ter “desrespeitado” algumas das suas normas para poder ajudar um país que apenas cumpria um dos quatro critérios exigidos para ter direito a assistência financeira.
 
Mesmo assim, o Fundo Monetário Internacional assinala que nem tudo foi mau no processo grego. E salienta que a intervenção atempada na Grécia, em conjunto com a Comissão Europeia e com o Banco Central Europeu, foi fundamental para evitar que a crise da dívida alastrasse a outros países e provocasse uma crise continental.