Rogoff e Reinhart corrigem estudo com “erro” no Excel

Autores mantêm, porém, a conclusão de que há uma forte correlação entre dívida pública alta e crescimento económico mais baixo.

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O estudo foi citado por vários governantes na defesa da austeridade Adrian Dennis/AFP

Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, autores do polémico estudo sobre o impacto da dívida pública no crescimento, posto em causa por três economistas que detectaram erros de cálculo, publicaram uma errata. Reconhecem erros nos cálculos que estiveram na base do estudo, mas mantêm as conclusões.

Três anos depois da publicação do estudo Crescimento em Tempos de Dívida, os dois economistas norte-americanos corrigiram falhas nas tabelas estatísticas do Excel no qual basearam as conclusões.

Embora introduzam alterações, e como já fizeram numa resposta pública às críticas ao seu trabalho, explicam que tal não altera o que defenderam em 2010, mantendo que existe uma forte correlação entre dívidas públicas altas e crescimento económico mais baixo.

Num artigo académico que sustentou as políticas de austeridade decididas por vários governos, nomeadamente na zona euro, dois académicos de Harvard concluíram que os países com dívidas públicas acima de 90% do PIB registam taxas de crescimento mais baixas.

Nas economias em que a dívida pública é superior àquele patamar, o crescimento médio era de 0,1%, contra progressões entre 3% e 4% nos países com dívida abaixo de 90%.

O trabalho de Rogoff (ex-economista chefe do FMI) e Reinhart foi questionado por uma investigação de três economistas da Universidade de Massachussets que suscitou a atenção pública quando estes alertaram que os cálculos não estavam correctos.

Segundo a tese de Thomas Herndon, Michael Ash e Robert Pollin, que usaram a mesma base de dados dos dois economistas, o crescimento médio não é de 0,1% quando a dívida está acima de 90%, mas de 2,2%. E defenderam que esta relação varia muito de acordo com a época e o país em causa.

O estudo de 2010 foi citado, por exemplo, pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e pelo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, assim como governantes de outtros países, em defesa da aplicação de políticas de austeridade como resposta à crise e para a diminuição das dívidas públicas.