A luta contra o desemprego é o mais importante na UE, dizem Letta e Hollande

França e Itália preparam as bases de uma nova aliança pró-crescimento na Europa — que não esqueça o rigor orçamental

Hollande e Letta preparam uma estratégia conjunta sobre o desemprego para a cimeira europeia de Junho
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Hollande e Letta preparam uma estratégia conjunta sobre o desemprego para a cimeira europeia de Junho BERTRAND LANGLOIS/AFP

Em Enrico Letta, o novo primeiro-ministro italiano, François Hollande encontrou o amigo de que precisava na Europa. Letta é alguém capaz de dizer que “é preciso coordenar as políticas do trabalho a nível europeu, para responder aos que perderam emprego e os que não conseguem encontrar trabalho, para não passar aos cidadãos a mensagem de que a Europa é um desastre democrático”. Mas ao mesmo tempo sossega os ouvidos alemães e do Norte da Europa, dizendo partilhar “a ideia de que crescimento e rigor não são incompatíveis”.

O Presidente socialista francês recebeu nesta quarta-feira no Eliseu o novo governante italiano, do Partido Democrático (centro-esquerda) e o entendimento para a criação de nova frente europeia pró-crescimento foi notório. “Foi um encontro importante e positivo: a taxa de satisfação da minha parte é de 100%”, disse num francês impecável Enrico Letta, que estudou em França.

Paris e Roma têm como horizonte próximo a cimeira europeia de Junho: querem pôr de pé uma estratégia de luta contra o desemprego na Europa — “em especial contra o desemprego jovem, que é o verdadeiro pesadelo deste ano”, sublinhou Enrico Letta. “O trabalho é o cerne de tudo”, tinha já dito em Berlim na véspera, depois de um jantar de trabalho com a chanceler Angela Merkel.

Com o primeiro-ministro italiano ao lado, Hollande recordou o “pacto de crescimento” que apresentou aos Vinte e Sete quando ele próprio foi eleito, há um ano - embora o novo fôlego que parecia trazer se tenha desvanecido num sopro, à medida que Paris enfrenta dificuldades para controlar a sua própria dívida e para estimular o crescimento económico, com o desemprego a atingir níveis recordes.

Mas os desafios não são apenas económicos: “O declínio europeu faz crescer os piores sentimentos; estas questões devem preocupar os líderes de cada um dos países europeus nos próximos meses”, sublinhou Hollande.

Com a experiência que um ano de tramitações nos bastidores das altas esferas europeias lhe deram, o Presidente francês sublinhou o apelo de Letta ao empenho na luta contra o desemprego e a visão do relançamento económico como uma questão democrática com um traço mais dramático: “Não se trata apenas de saber se Itália e França sairão da crise, mas de saber se a Europa terá um futuro comum. Ou se os egoísmos nacionais vão triunfar.”