Giorgio Napolitano é o primeiro Presidente a ser reeleito em Itália

Presidente de 87 anos aceitou segundo mandato que terminará em 2020.

Napolitano recebeu 738 votos, bastante acima dos 504 necessários para a eleição
Foto
Napolitano recebeu 738 votos, bastante acima dos 504 necessários para a eleição Max Rossi/Reuters

O Presidente da Itália, Giorgio Napolitano, acaba de ser reeleito pelo parlamento para um segundo mandato, com 738 votos.

Aos 87 anos de idade, Napolitano faz história ao tornar-se o primeiro político italiano a cumprir dois mandatos presidenciais.

A sua candidatura foi concertada pelos principais partidos parlamentares, para ultrapassar o impasse criado após cinco votações falhadas no Parlamento. 

“Do confronto [parlamentar] emergiu uma ampla convergência para solicitar a reeleição de Napolitano”, explicou Pier-Luigi Bersani, o líder da coligação de centro-esquerda que venceu as eleições legislativas em Fevereiro. 

O também presidente do Partido Democrático, que domina a coligação, esteve reunido com Napolitano esta manhã. Nesse encontro estiveram também presentes o ex primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, do segundo maior partido Povo da Liberdade, e o primeiro-ministro interino, Mario Monti.

Apesar da idade avançada, Giorgio Napolitano consentiu que o seu nome fosse posto à consideração dos grandes eleitores na segunda votação do dia.

"O que me move neste momento é o sentimento de não poder escapar à assumpção das minhas responsabilidades para com a nação", declarou Napolitano, num comunicado emitido pelo Quirinale.

"Confio que corresponda uma análoga assumpção colectiva de responsabilidade", acrescentou o Presidente, que viu a sua reeleição ratificada com 738 votos, bastante acima dos 504 necessários para a eleição.

Os representantes do Partido Democrático, que de manhã tinham boicotado a votação, em guerra aberta contra Bersani, apoiaram Giorgio Napolitano.

 

A acção do Presidente enquanto mediador político estava até agora limitada nos termos da lei eleitoral. Mas depois de reempossado, Napolitano fica com a via aberta para desatar o nó da formação do Governo através de novas eleições.

A cerimónia de posse está marcada para segunda-feira às 17h (hora local). Napolitano disse que essa seria a oportunidade para explicar os "termos" em que aceitou retomar a presidência e também as suas opiniões e propostas para resolver os "problemas de Itália".

Segundo a imprensa italiana, as negociações com vista à formação de um Governo poderão ser retomadas logo na terça-feira.

Beppe Grilo defende Rodotà

O académico e ex-deputado comunista Stefano Rodotà, que foi indicado pelo Movimento 5 Estrelas do humorista Beppe Grilo, obteve 217 votos, incluindo dos deputados do Esquerda Ecologia e Liberdade, que integra a coligação de centro-esquerda que ainda não conseguiu formar Governo.

Grilo convocou os seus apoiantes para uma "marcha sobre Roma" em protesto contra o acordo de Bersani e Berlusconi para a recondução de Giorgio Napolitano, que denunciou como um "golpe de Estado".

 

A partir de Bari, Stefano Rodotà agradeceu a “todos os que pensaram em mim”: “Fico contente que o meu nome reúna o consenso da esquerda italiana”, confessou, mas moderando o ímpeto dos descontentes, rejeitou a retórica agressiva dos seus novos padrinhos políticos e recordou a legitimidade dos grandes eleitores que votam para a escolha do Presidente.

“Em relação aos eventos recentes, sempre defendi que as decisões do parlamento não só podem como devem ser debatidas e criticadas duramente, mas sempre partindo do princípio de que foram tomadas no âmbito da legalidade democrática", declarou.

Os dois primeiros nomes sujeitos a votação, Franco Marini, escolhido por Bersani como o acordo de Berlusconi, e Romano Prodi, indicado por Bersani sem o acordo de Berlusconi, ficaram longe dos votos necessários (dois terços dos 1007 votos até à quarta votação e depois disso uma maioria simples de 504 votos). 

A rejeição de Marini e Prodi foi uma humilhante derrota política para Bersani, que imediatamente fez saber que se demitiria da presidência do PD depois da eleição do presidente.