Coreia do Norte coloca mísseis em posição de ataque aos Estados Unidos

Especialistas consideram pouco provável uma guerra, mas admitem um bombardeamento semelhante ao que, em 2010, matou 50 pessoas.

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Imagem divulgada por Pyongyang em que o líder norte-coreano alegadamente discute o plano com as chefias militares KCNA/AFP
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Decisão de Kim Jong-un foi seguida de uma grande manifestação de apoio na capital norte-coreana KCNA/AFP
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Tanques e militares sul-coreanos participam em manobras perto da cidade de Paju. A Coreia do Norte não gostou destes exercícios Jung Yeon-JE/AFP
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Posto de vigia norte-coreano (ao centrod a imagem) numa zona de fronteira entre as duas Coreias Jung Yeon-JE/AFP

A Coreia do Norte preparou nesta sexta-feira as suas unidades de mísseis para ataques aos Estados Unidos e bases americanas na Coreia do Sul e no Pacífico, noticiou a agência oficial KCNA.

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, “teve uma reunião de urgência”  com os generais, durante a madrugada, e disse, segundo a mesma agência, que “chegou o momento de acertar contas com os imperialistas dos Estados Unidos.

Kim Jong-un assinou a ordem para que as forças norte-coreanas se coloquem em posição de espera para poderem atacar “a qualquer momento” o continente americano e instalações militares na Coreia do Sul e nas ilhas do Hawai e Guam, segundo a KCNA. Em Pyongyang, a capital, realizou-se uma manifestação - em que também participaram soldados - de apoio à decisão do líder.

A agência sul-coreana, Yonhap, noticiou, citando fontes militares, movimentações de tropas e veículos nas instalações de mísseis de médio e longo alcance da Coreia do Norte.

Na terça-feira, a Coreia do Norte anunciou que tinha colocado a artilharia e unidades de mísseis “em posição de combate”. No dia seguinte, cortou a linha de comunicações militares com o Sul.

O anúncio de preparação para ataques feito nesta sexta-feira foi uma resposta a voos, feitos na quinta-feira, de bombardeiros furtivos B-2 norte-americanos sobre a Coreia do Sul. Essses voos estavam inseridos nas manobras militares conjuntas anuais dos Estados Unidos com este país.

Uma "fase imprudente"
Segundo a KCNA, o voo dos bombardeiros dos Estados Unidos mostra que a hostilidade americana contra a Coreia do Norte “entrou numa fase imprudente, que vai além da ameaça e da chantagem”.

Os Estados Unidos informaram que os B-2 partiram de uma base no Missouri e deixaram cair munições fictícias em ilhas sul-coreanas desabitadas, antes de regressarem. Foi, segundo o Pentágono, a primeira vez que fizeram um voo de ida e volta à península coreana.

Kim Jong-un disse que os voos são mais do que uma simples demonstração de força e representam um ultimato dos norte-americanos, que “mostram querer desencadear a todo o preço uma guerra nuclear”.

A China, principal aliado da Coreia do Norte, apelou a “esforços conjuntos” para reduzir a tensão. “A paz e a estabilidade na península coreana são de interesse comum”, disse um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Hong Lei.

Não há provas de que a Coreia do Norte tenha capacidade para atacar a costa Oeste dos Estados Unidos, mas possui mísseis que podem alcançar alvos norte-americanos. E Seul, capital da Coreia do Sul, fica apenas a 50 quilómetros da fronteira.

Kim Yong-Hyun, especialista em assuntos da Coreia do Norte na Universidade de Dongguk, na Coreia do Sul, considera que as declarações do regime do regime de Pyongyang “não devem ser interpretadas como sinal de uma guerra iminente”. “É uma reacção esperada face ao voo dos B-2”, disse, citado pela AFP.

Especialistas ouvidos pela agência consideram pouco provável uma guerra, que o Norte estaria condenado a perder, mas admitem um gesto semelhante ao bombardeamento, em 2010, de uma pequena ilha  sul-coreana, que provocou quatro mortos. No mesmo bombardeamento, um navio de guerra sul-coreano foi atingindo tendo morrido mais 46 pessoas.

A tensão na península coreana cresceu depois de o Norte ter feito o terceiro ensaio nuclear da sua história e de as Nações Unidas e os Estados Unidos terem aprovado novas sanções contra Pyongyang, que multiplicou as ameaças de “ataques estratégicos” e “guerra total” aos Estados Unidos e à Coreia do Sul.