"O que é que o PS pensa da narrativa de José Sócrates?", perguntou o PSD a António Braga

No Parlamento, o PSD questionou se o PS “teve vergonha do grande momento de teatro que se assistiu em Portugal”.

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Campos Ferreira questionou se o PS concordava com o que Sócrates afirmou sobre Cavaco Rui Gaudêncio

"O que o país inteiro estava à espera de ouvir aqui era o que o PS de hoje, de António José Seguro, pensa da narrativa de ontem [quarta-feira] de José Sócrates", disse Campos Ferreira, referindo-se à entrevista do antigo primeiro-ministro, José Sócrates à RTP. E foi mais longe, ao questionar “se o PS concordava com o que o ex-chefe do Governo afirmara sobre o Presidente da República, uma vez que José Sócrates acusou Cavaco Silva de ter sido "a mão por trás do arbusto da crise política" que acabou com a demissão do Executivo minoritário.

Aplaudido por diversas vezes, Campos Ferreira perguntou: “Qual é o PS que temos? O PS da moção de censura? O PS da narrativa? Ou o PS que escreve à troika, dizendo que cumprirá até ao último centavo?"

Afirmando que o PS convive bem com o seu património, o deputado António Braga acusou, na resposta, os sociais-democratas de “não lidarem bem com os seus ex-líderes. “O PSD convive mal com os comentários políticos de antigos dirigentes como Marques Mendes ou Marcelo Rebelo de Sousa”, disse. "Como o seu partido convive mal com os seus ex-líderes, acha que ao PS acontece o mesmo. José Sócrates apareceu em grande forma ontem na televisão, tal como Mário Soares está em grande forma, como um grande senador da República", contrapôs António Braga, após a sua declaração política, em plenário da Assembleia da República.

De resto, logo no início da sua intervenção, o deputado social-democrata dava conta, em tom jocoso, da “grande ansiedade” do Parlamento e do país em saber o que o PS pensava sobre "o grande momento de teatro que se viveu ontem em Portugal". "Sou levado a crer que o PS teve vergonha daquilo que Sócrates disse na televisão", atirou. António Braga respondeu: "O PS é um partido do povo, com história e património e convive perfeitamente com eles".

Antes, António Braga, o primeiro deputado a intervir esta quinta-feira no Parlamento, aludira aos dados que o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) publicou esta quinta-feira para dizer que“são reveladores do falhanço das desastrosas políticas da austeridade somada à austeridade”. “O Governo exigiu sacrifícios para atingir 4,5% de défice e este derrapou para 6,4%, fruto, em boa parte, da espiral recessiva”, acrescentou, sublinhando que “são mais 3,25 mil milhões de euros de necessidades de financiamento adicionais que estão a ser pagos com um enrome aumento de impostos”.

De acordo com o INE, a dívida pública terá atingido os 123,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, ficando acima da estimativa do Governo e da troika - estimativa que tem menos de duas semanas.

Acusando o Governo de ser “incompetente” e de “não ter falta de coragem em enfrentar os seus prórpios erros”, António Braga disse ainda que a “austeridade custe o que custar, trouxe destruição da actividade económica, está a matar as condições de confiança exigíveis para um Governo liderar vontades e mobilizar todos na construção de soluções”.