Seguro defende que programa de ajustamento deve ser renegociado

Líder do PS afirmou que o país precisa de outro primeiro-ministro, que “dê sentido aos sacrifícios dos portugueses”

Seguro falou em Aveiro, na apresentação de Eduardo Feio como candidato socialista à autarquia
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António José Seguro queria eleições a 13 de Outubro Rui Farinha

O líder do PS defendeu nesta sexta-feira à noite, em Aveiro, que Portugal precisa de um outro primeiro-ministro, disposto a renegociar o programa de ajustamento e a apresentar uma nova estratégia credível de consolidação das contas públicas.

“Nós neste momento precisamos de renegociar as nossas condições de ajustamento, de ter mais tempo como sempre disse, de pagar menos juros, de diferir o pagamento dos juros da dívida pública. Precisamos de resolver a gestão da nossa dívida pública num contexto europeu e de ter uma nova estratégia credível de consolidação das contas públicas”, disse António José Seguro.

O líder do PS, que marcou presença na apresentação de Eduardo Feio como candidato socialista à Câmara de Aveiro, salientou que o país já não depende de si próprio para sair da crise e precisa “que, no seio da União Europeia, se tomem medidas que permitam aliviar a austeridade e criar um ambiente amigo do crescimento” e do desenvolvimento económico.

“Precisamos de um outro primeiro-ministro que cuide de Portugal e das pessoas e que tenha voz na Europa para afirmar Portugal. Para isso é preciso ter coragem e pensamento, ter propostas, ter aliados e bater-se por elas”, disse.

António José Seguro devolveu a Passos Coelho a responsabilização por uma crise política, ao ter ignorado sistematicamente as propostas do PS e ter fechado a porta a um diálogo construtivo com o maior partido da oposição. “Nunca o primeiro-ministro nos quis ouvir e mesmo quando, recentemente, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, manifestou disponibilidade para discutir algumas das propostas e das medidas do PS, cinco dias depois, o primeiro-ministro veio fechar a porta e recusá-las”, acusou.

Seguro afirmou que a moção de censura que o PS anunciou “não é um ponto de chegada, mas de partida para resolver os problemas dos portugueses”, não sendo “uma solução aventureira, mas a estratégia que corresponde a uma esperança lúcida de quem tem horizonte e a certeza de que Portugal tem futuro, com a consciência de que os problemas são difíceis”.

O que falta e o que o PS se propõe é “mobilizar a sociedade e dar sentido aos sacrifícios, para conseguir vencer os desafios e fazer reencontrar os portugueses consigo próprios, acreditando nas suas capacidades”.

Tal como o candidato Eduardo Feio se propõe “devolver a esperança e o desenvolvimento a Aveiro”, também “o país precisa de um primeiro-ministro que cuide das pessoas, que saiba conciliar o rigor orçamental com a prioridade do combate ao desemprego”, concluiu António José Seguro.

“Durante os 21 meses de governação, o primeiro-ministro pediu aos portugueses pesados sacrifícios e em troca comprometeu-se a ter um défice orçamental de 4,5% e uma dívida pública de 113% da riqueza nacional. Terminou 2012 e o défice não foi de 6,6% e a dívida superior a 122%. A execução orçamental, revelada já quase à noitinha, demonstra que o Governo não está a fazer a consolidação orçamental”, criticou.

Para António José Seguro, “se os resultados são maus, as consequências são dramáticas”, com um milhão de desempregados no final do ano, meio milhão dos quais sem apoio social e 40% dos jovens sem trabalho.

O líder socialista considerou que Passos Coelho devia reconhecer que a sua estratégia falhou, de ter a humildade de pedir desculpa aos portugueses e de ter a capacidade para mudar de rumo”, conforme o PS exigiu durante ano e meio.

Na sua intervenção, António José Seguro justificou assim a moção de censura que anunciou, já que o primeiro-ministro “aplica uma receita que não cumpre nenhum objectivo, que aumenta o desemprego, baixa a economia, insiste em mais austeridade e não aceita nenhuma proposta, que esbanja a oportunidade de um diálogo político sério e construtivo com o principal partido da oposição e que reduz aos mínimos o diálogo social”, numa alusão ao salário mínimo.

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