Rússia recusa emprestar mais dinheiro a Nicósia

Michalis Sarris, ministro cipriota das Finanças, voltou de Moscovo de mãos vazias.

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Os bancos permanecem encerrados, estando a funcionar as caixas exteriores Nuno Ferreira Santos

A Rússia informou o Governo de Chipre que não está disposta a conceder-lhe novos empréstimos para evitar a sua falência, mas os cipriotas acreditam que Moscovo poderá aceitar investir nos sectores bancário e energético.

Estes dois sectores foram referidos por Michalis Sarris, ministro cipriota das Finanças, no quadro dos contactos que mantém com os responsáveis russos desde terça-feira, em Moscovo, numa tentativa de obter o financiamento para segurar um empréstimo de 10.000 milhões de euros da zona euro e do FMI.

"Os bancos são o objectivo último em qualquer apoio que tivermos, por isso será apoio directo aos bancos ou apoio através de outros sectores que nós canalizaremos para os bancos", disse Sarris aos jornalistas em Moscovo. "Estamos claramente a pedir ajuda, mas também algo que faça sentido no plano económico para a Rússia", vincou.

Moscovo fez saber, em contrapartida, que não fará novos empréstimos a Nicósia além dos 2500 milhões já concedidos no final de 2011. Nicósia esperava obter um segundo empréstimo de 5000 milhões para cobrir as receitas previstas com uma controversa taxa bancária aprovada pela zona euro no quadro do seu programa de ajuda externa.

As negociações com o ministro russo das finanças, Anton Siluanov, terminaram durante a noite sem existir um acordo sobre a extensão do empréstimo de 2500 milhões de euros.

Jeroen Dijsselbloem, ministro holandês das Finanças, que preside ao fórum de coordenação dos países do euro (Eurogrupo), disse igualmente ontem durante uma audição no Parlamento Europeu que os russos o informaram de que não têm qualquer intenção de emprestar mais dinheiro a Chipre. "Um outro empréstimo ou um investimento nos bancos, os russos disseram-nos que não estão dispostos a fazê-lo", afirmou.

Precisou, contudo, que um eventual novo empréstimo russo não resolveria o problema, porque aumentaria a dívida pública de Chipre para níveis insustentáveis. É por esta razão que a zona euro e o FMI não querem emprestar mais do que 10.000 milhões de euros e querem que Nicósia obtenha por outras formas os 7000 milhões adicionais que são necessários para salvar os bancos e o Estado da falência. De acordo com o banco central cipriota, os depósitos de russos em Chipre representam entre 4943 milhões de euros e 10.225 milhões, um valor muito inferior aos 31.000 milhões estimados pela agência Moody"s.

Notícia corrigida às 12h02: O resgate financeiro a Chipre é de 10.000 milhões de euros e não de 10.000 euros.