Este é o mapa mais detalhado de como era o Universo com 380 mil anos

Dados do ovo cósmico foram obtidos pelo telescópio espacial Planck, da Agência Espacial Europeia.

O mapa da radiação fóssil do Big Bang obtido pelo telescópio Planck
Foto
O mapa da radiação fóssil do Big Bang obtido pelo telescópio Planck ESA

O mapa mais pormenorizado de como era o Universo 380 mil anos depois do Big Bang foi divulgado esta quinta-feira. A luz desses tempos, que agora nos chega sob a forma de microondas – e que se chama radiação cósmica de fundo –, permite ver pequeníssimas diferenças de temperatura no Universo. Foi nas regiões ligeiramente mais quentes que mais tarde nasceram as galáxias, grandes ilhas de concentração de matéria.

Este novo mapa do “ovo cósmico”, obtido pelo telescópio espacial Planck, lançado pela Agência Espacial Europeia em Maio de 2009, revela agora de forma mais refinada as diferenças de temperatura da radiação cósmica de fundo. Diferenças essas que vão permitir aos cientistas entrar numa máquina do tempo e viajar até pouco depois do Big Bang, que originou o Universo como o conhecemos.


A azul, surgem as regiões ligeiramente mais frias, e a laranja as mais quentes que são as sementes das futuras galáxias. Numa delas, na Via Láctea, estamos agora nós a olhar para tudo isto.


“Com o Planck, temos agora um mapa de alta precisão e o mais detalhado até hoje da radiação mais antiga no Universo. Com o estudo desta radiação e as diminutas variações da sua temperatura em diferentes direcções no céu, podemos inferir como o Universo nasceu, como é no presente e de que é feito, bem como qual será o seu futuro e prever a sua morte”, diz-nos a cosmóloga portuguesa Graça Rocha, do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, na Califórnia, e da equipa nuclear do Planck. “Estas manchas quentes e frias nos mapas do Planck revelam as sementes que germinaram, resultando em estrelas, galáxias, enxames de galáxias que vemos hoje à nossa volta no firmamento.”
Uma das conclusões é que Universo nasceu há 13.820 milhões de anos, sendo assim cerca de 100 milhões de anos mais velho do que pensava. A idade geralmente apontada era a de 13.700 milhões de anos, quando o Big Bang se deu e se formou o Universo.


Além de acrescentar 100 milhões de anos à idade do Universo, o Planck trouxe outras novidades. O Universo tem um pouco mais de matéria escura (26,8% em vez de 24%), que não se vê mas se sabe existir pelos seus efeitos gravíticos. Tem um pouco mais de matéria “normal” (4,9% em vez de 4,6%), aquela que detectamos. E tem um pouco menos de energia escura (68,3% em vez de 71,4%), uma energia que contraria os efeitos da gravidade e ajuda o Universo a expandir-se. E por que estará ele a expandir-se mais devagar?

Leia mais no PÚBLICO desta sexta-feira e na edição online exclusiva para assinantes.
 
 
 

Sugerir correcção