As dez tecnologias mais promissoras em 2013

Conselho da Agenda Global para as Tecnologias Emergentes identifica tendências que podem fazer a diferença este ano.

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Uma orelha é fabricada por uma impressora 3D, na Universidade de Cornell, Nova Iorque Lindsay FRANCE/AFP

Carros eléctricos wireless, materiais que se auto-regeneram, impressoras que nos dão objectos a partir de uma ordem no computador. Sim, tudo isto está a ser desenvolvido ou testado e, segundo o Conselho da Agenda Global para as Tecnologias Emergentes, do Fórum Económico Mundial, faz parte das dez tendências tecnológicas mais promissoras para este ano. São tecnologias que fizeram avanços importantes e estão perto de poderem ser usadas em larga escala.

Um carro eléctrico wireless (OnLine Electric Vehicles – OLEV)
Está a ver os postos de recarregamento de automóveis eléctricos que têm vindo a surgir por todo o lado? Esqueça. Na próxima geração de carros eléctricos não serão precisos fios. Dispositivos montados na parte de baixo dos veículos receberão energia de um campo electromagnético, emitido por cabos instalados por baixo do asfalto. Ao mesmo tempo, a bateria do carro vai sendo carregada para quando o carro estiver fora dessas faixas. E como a electricidade chega de fora, as baterias destes automóveis precisarão apenas de um quinto da capacidade das dos carros eléctricos actuais. Impossível? Não. Estes carros já estão a ser testados na capital da Coreia do Sul, Seul.

Impressoras de objectos
Já é possível criar objectos a partir de um ficheiro num computador, graças à impressão tridimensional. Segundo o Conselho da Agenda Global para as Tecnologias Emergentes, estas impressoras poderão mesmo “revolucionar a indústria da manufactura”. Neste processo de criação de estruturas sólidas com uma impressora, várias camadas de determinado material – que pode ser plástico, ligas metálicas ou outros – vão sendo sobrepostas até que esteja formado o objecto.

Materiais que se auto-regeneram
Uma “tendência em crescimento na biomimética é a criação de estruturas inertes que tenham a capacidade de se reparar a si próprias”, quando sofrem cortes, rasgos ou se partem. Como acontece com os organismos vivos. Esses materiais capazes de reparar estragos sem intervenção humana “aumentariam a durabilidade dos produtos e reduziriam a procura de matérias-primas”. Mas há outras vantagens: se estes materiais fossem usados na construção de aviões, exemplificam os autores, voar seria mais seguro.

Purificação energeticamente eficiente da água
Numa altura em que as fontes naturais estão sobre-exploradas ou, nalguns casos, esgotadas, a dessalinização foi a forma encontrada de obter água de forma quase ilimitada. Mas isso tem um custo energético elevado, lembra o conselho, que por isso mesmo destaca várias tecnologias emergentes que “permitem maior eficiência energética nos processos de dessalinização ou de purificação de águas residuais”, em que se poderá poupar até 50% de energia em relação à que é gasta com os métodos actuais.

Uma nova vida para o dióxido de carbono
Os autores começam por avisar que “ainda está por provar que a captura e armazenamento subterrâneo de dióxido de carbono é viável a nível comercial”. Mas já existem formas de converter o CO2 indesejado em produtos que podem ser vendidos. Uma das possibilidades que o Conselho da Agenda Global para as Tecnologias Emergentes considera mais promissoras é a transformação de dióxido de carbono em combustíveis líquidos ou químicos, através de sistemas de conversão solares de baixo custo.

Proteínas à la carte
Suplementos alimentares é o que não falta no mercado. Mas e se fosse possível alimentar-se apenas com o que realmente interessa? É isto o que promete a biotecnologia, através da identificação e replicação de proteínas naturais que são essenciais para a dieta humana. Segundo o Conselho da Agenda Global para as Tecnologias Emergentes, levar a alimentação para o nível molecular tem a vantagem de proporcionar aminoácidos “com melhor solubilidade, gosto, textura e características nutricionais”, com potenciais benefícios no desenvolvimento muscular e no controlo da diabetes e da obesidade.

Mais tele-sensores
A divulgação do uso de sensores vai continuar a mudar a forma como nos relacionamos com o que nos rodeia, “em especial na área da saúde”. Por exemplo, sensores que monitorizam de forma contínua pulsações cardíacas ou níveis de açúcar no sangue e que, se necessário, respondem de forma automática. Mas não só na medicina. Os tele-sensores estão a ser usados para muitos outros fins. Nos automóveis, por exemplo, podem permitir que se detectem uns aos outros e reduzir assim o risco de acidentes rodoviários.

Medicamentos em nano-escala
Depois de quase uma década de investigação, os testes de administração de medicamentos ao nível molecular (em torno da célula afectada ou mesmo no seu interior) começam a parecer finalmente possíveis. Esta nova abordagem, que está ainda a ser testada, seria uma “oportunidade sem precedentes para tratamentos mais eficazes, enquanto se reduzem os efeitos secundários”.

Componentes electrónicos orgânicos
Os componentes electrónicos orgânicos são um tipo de impressos – sim, impressos – com materiais orgânicos, que ainda não conseguem competir com os tradicionais, em silício, mas têm grandes vantagens ao nível dos “custos e da versatilidade”. Ao contrário dos outros, que são fabricados com elevados custos, estes podem ser impressos a baixo custo e a uma escala muito mais pequena, o que faz com que sejam também muito mais baratos e acessíveis.

Reactores nucleares de quarta geração
O futuro a longo prazo da energia atómica depende, em grande medida, da disponibilidade de combustível – o urânio – e de uma solução para os resíduos radioactivos. Embora o urânio seja abundante, o minério extraído da terra só contem 0,7% do isótopo que interessa para as centrais nucleares, o urânio-235. A difusão de reactores de quarta geração, que, ao mesmo tempo em que produzem energia, fabricam mais combustível nuclear, é uma das maiores promessas de solução. Tais reactores convertem o urânio-238 – o isótopo mais abundante deste elemento químico – em plutónio-239, que pode ser utilizado como combustível.

Notícia corrigida: no penúltimo parágrafo, substituída a referência ao silicone por silício