FMI censura Argentina por causa das suas estatísticas

Fundo diz que o país tem de corrigir procedimentos nos cálculos do PIB e da inflação até 29 de Setembro.

Kirchner fala do “envio para a região de um sofisticado contratorpedeiro a acompanhar um dos herdeiros ao trono”
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Cristina Kirchner, presidente da Argentina Foto: Juan Mabromata/AFP

O Fundo Monetário Internacional anunciou na sexta-feira à noite que emitiu uma "declaração de censura" à Argentina devido à falta de qualidade das suas estatísticas relativas ao PIB e à inflação.

A polémica em relação às contas feitas pelo departamento de estatística tutelado pelo Governo argentino já tem anos, com várias entidades a acusarem o Executivo de subavaliar os dados da inflação com intuitos de ordem política e para reduzir os aumentos de prestações que estão indexadas à variação dos preços.

A declaração agora feita oficialmente pelo FMI representa a crítica mais forte até à data. É também a primeira vez em toda a sua ex istência iistência que o Fundo usa a figura da "declaração de censura" em relação ao um Estado membro. 

O próximo passo poderá ser a imposição de sanções. Tal ocorrerá, avisa agora o FMI, se até 29 de Setembro a situação não for corrigida. Uma expulsão do Fundo seria a sanção mais radical, mas apenas se está à espera, nesta fase, de penalizações mais ligeiras.

O impacto desse tipo de penalizações poderia não ser significativo, já que as relações entre as autoridades argentinas e o FMI têm sido difíceis e cada vez mais limitadas desde a crise que assolou o país no início do milénio.

A maioria dos argentinos considera que o programa de ajustamento delineado na altura polo Fundo conduziu a uma ainda maior deterioração da situação económica e social.