Ex-ministro de Sócrates diz que “PS precisa de fazer mais" para ser alternativa

Antigo ministro de José Sócrates quer congresso do partido o mais cedo possível e apoia "alguma contenção" por parte do Presidente da República.

Nuno Ferreira Santos
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Nuno Ferreira Santos

O antigo ministro socialista Pedro Silva Pereira entende que “o Partido Socialista precisa de fazer mais para se apresentar como uma alternativa credível” ao actual executivo de Pedro Passos Coelho.

Silva Pereira, que falava numa entrevista à Rádio Renascença, defendeu que “a missão de qualquer partido, sobretudo do maior partido da oposição, é estar preparado e oferecer uma alternativa”. E acrescentou: “Creio que o secretário-geral do PS está consciente dessa necessidade de fazer mais. Quando [António José Seguro] diz que vai agora acelerar os calendários e o trabalho dentro do PS para apresentação de propostas adicionais está a sinalizar que pretende fazer trabalho em cima do trabalho feito para que essa alternativa do PS possa parecer aos olhos dos portugueses como mais consciente e mais credível”.

Ainda a propósito do seu partido, o antigo ministro da Presidência de José Sócrates afirmou que era conveniente que “o congresso electivo pudesse realizar-se tão breve quando possível”, precisamente para se poder proteger a estabilidade política e construir uma alternativa credível.

Questionado sobre a postura de Cavaco Silva ao longo dos últimos meses, Silva Pereira sublinhou na mesma entrevista que “uma coisa é o papel dos partidos da oposição outra coisa é o papel do Presidente da República. Pela minha parte, não considero que seja função do Presidente da República estar constantemente a posicionar-se em relação à governação como se fosse um inspirador de uma estratégia governativa”. “Se um Presidente da República que é eleito por sufrágio universal directo não tem alguma contenção no modo como se confronta com a legitimidade política da maioria governativa isso potencia muito os conflitos”, insistiu.

Em relação ao documento do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado neste mês e que apresenta algumas propostas para o Governo reduzir cerca de 4000 milhões de euros nas funções do Estado, Silva Pereira considerou que “o relatório do FMI não acrescenta respeitabilidade nenhuma ao FMI”. Para o socialista o documento está “cheio de pressupostos errados” e faz uma “destruição grosseira da realidade portuguesa e da sua realidade comparada com a de outros países”.

Ainda à Renascença, lamentou que o FMI tenha sido “influenciado pelos dados fornecidos pelo próprio Governo”. “Os técnicos do FMI encarregues desta tarefa tinham obrigação por si próprios de não se prestar a um serviço que não pode constituir uma boa base para um debate público sério.

Por último, o socialista desvalorizou o regresso de Portugal aos mercados para emitir nova dívida a cinco anos nesta quarta-feira. “As notícias não são o que parecem. É uma operação sindicada e que tem muito de artificial, que é construída e que é protegida e que, além do mais, é sobretudo sustentada naquilo que são as consequências da intervenção do Banco Central Europeu junto dos mercados e em particular do sector financeiro”. Em contraponto, Silva Pereira disse que faz mais falta ao país que o primeiro-ministro tenha um discurso público semelhante ao do homólogo irlandês que tem vindo a insistir na necessidade de renegociar a dívida.