Bloco quer ouvir no Parlamento autores do relatório do FMI

Conteúdo do documento levanta questões "da maior importância" para o futuro do Estado social em Portugal, alega o partido.

Luís Fazenda assina o requerimento do Bloco, que exige esclarecimentos do FMI no Parlamento
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Luís Fazenda assina o requerimento do Bloco, que exige esclarecimentos do FMI no Parlamento Rui Soares / Arquivo

O grupo parlamentar do BE requereu esta quinta-feira um pedido de audição da Missão Técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) responsável pela redacção do relatório divulgado na quarta-feira que prevê uma reforma do Estado.

Segundo o requerimento, assinado pelo deputado bloquista Luís Fazenda e entregue na Comissão Eventual para Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira a Portugal, no Parlamento, “o conteúdo deste relatório levanta questões da maior importância para o futuro do Estado social”.

O BE dá como exemplo as sugestões de “aumento das taxas moderadoras, a dispensa de 50 mil professores, a redução de salários na função pública e um corte em todas as pensões”.

O partido justifica o requerimento agora apresentado com as palavras do secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, que na quarta-feira se referiu ao documento como sendo “quantificado, muito bem feito e muito bem trabalhado". Mas também com o facto de os membros do Governo terem sido ouvidos no processo de redacção do documento.

“O BE considera da maior importância que os técnicos do FMI responsáveis pela autoria deste relatório sejam ouvidos da Assembleia da República”, já que o Governo se prepara para avançar com “um conjunto de cortes nas funções sociais do Estado no valor de quatro mil milhões de euros”. O relatório apresentado pelo FMI sustenta, entre outros aspectos, que polícias, militares, professores, médicos e juízes têm "demasiadas regalias".

"Face à importância desta situação, o BE requer a presença da Missão Técnica do FMI responsável pela redacção deste relatório, com vista a prestar os esclarecimentos que as circunstâncias exigem", conclui o requerimento que deu entrada esta quinta-feira no Parlamento.