Primeiro-ministro britânico disposto a usar poder de veto para impedir mudanças na zona euro

David Cameron disse que "tem direito" e "é capaz" de bloquear esforços dos países da União Europeia (UE) para fortalecer o euro se estes não aceitarem as suas condições para mudanças no tratado da UE. Uma das condições é limitar a livre circulação de cidadãos europeus no país.

Governo de David Cameron vai manter-se fiel ao seu plano de austeridade
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Cameron disse que não há interesse do Reino Unido em deixar a União Europeia Matthew Lloyd/AFP

Na entrevista deste domingo à BBC, David Cameron disse ter direito e ser capaz de usar o poder de veto para impedir que os países da zona euro criem uma união monetária mais efectiva. E ameaça usar o seu poder de veto, caso os parceiros europeus não aceitem as mudanças que o Reino Unido propõe.

A ameaça foi feita numa entrevista ao programa de Andrew Marr, semanas antes do esperado discurso que o primeiro-ministro britânico fará sobre a Europa no fim do mês. Cameron quer que o país continue na União Europeia, mas em condições diferentes das de hoje. 

"Os países da zona euro têm de mudar as regras para que a moeda funcione. Eles precisam de mais integração. Não existe nenhuma moeda no mundo que não tenha precisado de uma reforma bancária ou orçamental (...). Eles precisam mudar, isso significa que estão a mudar as fundações da organização à qual nós [Reino Unido] pertencemos. Neste sentido, temos o direito – não apenas o direito, mas a capacidade – de exigir mudanças."

Qualquer mudança – da supervisão da banca ou relacionada ao controlo do défice – tem de ser aprovada por todos os Estados-membros da UE. Segundo o Guardian, o Governo britânico pode usar o poder de veto nas negociações para não ter de adoptar medidas destinadas a incentivar mais equidade social.

Ao diário britânico, fontes da União Europeia disseram que se o Reino Unido tentar vetar as mudanças, os Estados-membros podem fazer as mudanças a nível governamental sem a necessidade de passar pelas instituições europeias.

Fim da "livre circulação" de cidadãos europeus?
Ainda na entrevista deste domingo, David Cameron sugeriu que apenas cidadãos da União Europeia que entrem no Reino Unido para trabalhar possam vir a ser admitidos no país, mesmo que isso signifique comprometer o princípio da UE de livre circulação dos seus cidadãos.

"Deveria ser mais difícil as pessoas virem e viverem no Reino Unido e poderem receber benefícios?” “Sim, francamente, deveria”, afirmou o primeiro-ministro. A medida afectaria a entrada de turistas da União Europeia no Reino Unido.

Segundo o Daily Telegraph, há o receio de que o Reino Unido seja invadido por imigrantes de outros Estados europeus no próximo ano.  

O primeiro-ministro também tem restrições à directiva sobre o tempo de trabalho, o limite das horas de trabalho. "Na minha opinião, esta directiva não deveria ter sido nunca introduzida, já que afecta, por exemplo, a maneira como gerimos os nossos hospitais em vez de só afectar o comércio e o mercado único."

Durante a entrevista, Cameron enfatizou que 50% do comércio britânico hoje é feito com os países da União Europeia e não há interesse do país em deixar a UE. Também disse que é a favor de mudanças para o euro se fortalecer. Mas não abrirá mão de exigir as suas condições.