Aumento nas portagens, energia e telecomunicações ultrapassa inflação em 2013

Subida nos preços para 2013 vai ultrapassar os 0,9% estimados de inflação nas portagens das ex-Scut, energia, telecomunicações, tabaco e álcool. Preços do leite e pão devem manter-se.

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Preços nas tarifas dos operadores móveis vão subir 3% em 2013 Cláudia Andrade

Mesmo com as estimativas a apontarem para a menor taxa de inflação dos últimos dois anos, os preços nas tarifas da electricidade e gás, nas portagens das ex-Scut, nas telecomunicações e no tabaco e álcool vão aumentar mais do que os 0,9% estimados de inflação para 2013.

O valor de subida média dos preços para 2013 é substancialmente inferior aos números apontados para 2011 e 2012. Para este ano, o Banco de Portugal estima que a taxa de inflação termine nos 2,8%, sendo que para 2011 a subida de preços terá sido de 3,5%.

A factura da electricidade sobe 2,8% e a conta do gás aumenta 2,5% em 2013 para a maioria dos consumidores. Os aumentos prendem-se com o processo de liberalização do mercado e aplicam-se a quem não tenha ainda trocado para o operador privado. O aumento das tarifas será ainda revisto trimestralmente ao longo do processo de liberalização do sector, que deve terminar em 2015 com todos os actuais 5,6 milhões de consumidores do sector regulado no mercado privado.  

Segundo a análise divulgada nesta sexta-feira pela agência Lusa, o aumento nas portagens das ex-Scut ultrapassa também os 0,9% de inflação, mas representa um aumento inferior aos 4,3% registados em 2012. Em Novembro, de acordo com a fórmula de cálculo que resulta da taxa de inflação homóloga, divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os preços das portagens nestas auto-estradas iriam aumentar 2,03%. O cálculo, afirma a Lusa, é feito com base na variação dos preços do ano anterior, excluído o preço da habitação, razão pela qual a subida de preços ultrapassa a taxa de inflação de 2013.

Os três operadores de telecomunicações avançaram já um aumento de 3% nos tarifários em 2013. Em sentido contrário encontram-se as tarifas do telefone fixo, que vão baixar 23,3% por minuto no horário normal a partir de 1 de Janeiro, para os 0,024 euros.

O aumento nos impostos sobre o consumo de tabaco e bebidas alcoólicas que consta no Orçamento do Estado para 2013 arrasta também consigo um aumento generalizado no preço destes produtos. Segundo as simulações avançadas pelo PÚBLICO, o tabaco de enrolar deve sofrer um aumento médio de 19%, enquanto que a subida nos preços do tabaco de pacote se deve ficar pelos 10%. As bebidas alcoólicas devem sofrer um aumento médio de 1,3%, por força de um aumento de 7,5% do imposto sobre bebidas espirituosas.

Rendas aumentam no máximo 3,4%
Não havendo um valor fixo para o aumento nos preços das rendas, os inquilinos com contratos de arrendamento posteriores a 1990 têm um tecto máximo de aumento de 3,4% em 2013. No caso dos imóveis com contratos anteriores à década de 90, a actualização de preços será negociada com o senhorio ou calculada de acordo com o valor fiscal do imóvel.

Em Setembro, o INE anunciou que a taxa de referência para a actualização dos preços das rendas seria de 3,36%. Este valor, escreve nesta sexta-feira a Lusa, baseia-se no aumento dos preços dos últimos 12 meses, que, à data, era superior ao esperado para 2013.

Preços do leite e pão mantêm-se, café pode encarecer
As associações do sector dos lacticínios e panificadores alertam para uma subida generalizada nos custos de produção mas afirmam que os preços dos produtos se devem manter para 2013, avança nesta sexta-feira a agência Lusa.

De acordo com Pedro Pimentel, presidente da Associação nacional dos Industriais de Lacticínios, a indústria enfrenta uma “forte tendência inflacionista da matéria-prima” e tem registado um aumento na procura de produtos de gama mais baixa. Assim, disse Pedro Pimentel à Lusa, os preços devem “aumentar muito moderadamente ou mesmo estabilizar”.

Já Francisco Silva, presidente da Associação do Comércio e Indústria da Panificação, diz que tudo aponta para que os preços se mantenham iguais aos de 2011. “O objectivo é manter os preços para não aumentar os riscos de pobreza e não perder clientes”, disse Francisco Silva à Lusa, que defende que o aumento médio de 70% na matéria-prima se traduziu apenas numa variação dos preços de “apenas 6 a 7%”.

Um combate semelhante acontece na AHRESP, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal. Mário Pereira Gonçalves, presidente da associação, admitiu à Lusa que podem existir “actualizações” nos preços do café, que custa em média 60 cêntimos. Em todo o caso, afirma Mário Perira Gonçalves, as subidas não devem ser significativas e, por força da vontade em manter os clientes, os empresários podem decidir também não aumentar os preços.