Seguro diz que números desmentem um primeiro-ministro “distante da realidade”

Líder socialista entende que os números da execução orçamental contrariam optimismo de Passos Coelho e provam que está "distante da realidade".

 Seguro considera que os números desmentem o tom optimista de Passos Coelho
Foto
Seguro considera que os números desmentem o tom optimista de Passos Coelho Enric Vives-Rubio

O secretário-geral do PS, António José Seguro, afirmou que os números estão sistematicamente a desmentir um primeiro-ministro “distante da realidade”.

O líder socialista, que falava sexta-feira à noite no final de um jantar de Natal do PS/Porto, realizado em Ermesinde (Valongo), comentou deste modo os dados da execução orçamental e o relatório da Comissão Europeia, conhecidos nessa mesma tarde e que, segundo António José Seguro, vieram desmentir o tom optimista evidenciado horas antes por Pedro Passos Coelho.

“O primeiro-ministro disse, de manhã, que o país estava no caminho certo, que estava tudo bem, mas, à tarde, ficamos a conhecer a execução orçamental e o relatório da Comissão Europeia que o desdizem e que provam que, afinal, está tudo mal”, observou o dirigente socialista. Na óptica de António José Seguro, isto significa que “temos um primeiro-ministro distante da realidade e dos problemas por que os portugueses estão a passar”.

Já na parte final de um discurso de mais de meia hora, perante uma plateia que enchia por completo um pavilhão desportivo escolar, o secretário-geral socialista disse, em tom entusiástico, que o país “precisa de voltar a ter um desígnio”. “Porque não estamos condenados a um ciclo de autoridade, o nosso horizonte é um ciclo de esperança lúcida e forte”, acrescentou.

De acordo com a síntese de execução orçamental, contendo os dados até ao final de Novembro, o défice orçamental da Administração Central e da Segurança Social contabilizado para efeitos de Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), atingiu os 8639,3 milhões de euros. Também sexta-feira, conheceu-se o relatório da Comissão Europeia (CE) sobre a sexta revisão do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF).

O documento refere que, mesmo com o plano que o Governo se comprometeu a apresentar à troika em Fevereiro, por altura da sétima revisão em pleno funcionamento, o contributo do lado da despesa ao longo do prazo subiria para 60%, ainda aquém dos dois terços previstos inicialmente.

Horas antes de serem conhecerem estes documentos, o primeiro-ministro sublinhou, no Parlamento, os progressos que disse terem sido alcançados por Portugal, afirmando que, pela primeira vez, o país baixou do limiar em que se recorre a ajuda externa, com os juros da dívida a dez anos a situarem-se abaixo da barreira dos 7%.