Com Monti ou sem Monti, eleições em Itália a 24 e 25 de Fevereiro

Presidente Napolitano dissolveu o parlamento. A campanha eleitoral está prestes a começar.

O Presidente Napolitano lembrou que a legislatura “foi um pouco encurtada”
Foto
O Presidente Napolitano lembrou que a legislatura “foi um pouco encurtada” REUTERS

Mario Monti demitiu-se na sexta-feira, mas só este domingo é que diz aos italianos se vai ser candidato a primeiro-ministro ou não. Sábado foi dia de suspense e de serem oficialmente marcadas as eleições antecipada para dia 24 e 25 de Fevereiro.

O Presidente Giorgio Napolitano dissolveu o parlamento, lembrando que a legislatura "foi um pouco encurtada" pela demissão de Monti, formalizada agora mas anunciada há 15 dias, quando o PDL de Silvio Berlusconi lhe retirou o apoio parlamentar.

Numa Itália em recessão e vulnerável, o ex-comissário europeu está pressionado por vários lados para se apresentar às legislativas, liderando uma coligação de ex-democratas-cristão e laicos do "Movimento para a Terceira República", de Luca di Montezemolo, patrão da Ferrari.

Monti não foi a votos na anterior legislatura. Foi nomeado por Napolitano para uma espécie de governo de salvação nacional, constituído por tecnocratas e independentes, após a demissão de Berlusconi, que se mostrou incapaz para lidar com a crise da dívida.

O La Repubblica resumiu em título aquele que parece ser o actual estado de alma do "professor": "As dúvidas de Monti, tentado a dizer não".

Um dos mais fervorosos apoiantes de Monti, Pier Ferdinando Casini, líder do partido centrista UDC, confirmou as incertezas do ex-primeiro-ministro, sublinhando que "seja qual for a decisão de Monti, ela será respeitada". O La Stampa aposta que Mario Monti não avançará e ficará "como reserva da República".

Os caminhos são vários caso não avance, aponta a AFP: ser chamado a ser primeiro-ministro de socorro se não existir uma maioria clara no parlamento após as eleições de Fevereiro; rumar à Presidência do país depois de Napolitano terminar o seu mandato em meados do Maio; ou suceder a Jean-Claude Juncker na liderança do Eurogrupo, um posto à medida para este professor de Economia.

As sondagens dizem a Monti para não avançar. Os italianos gostavam mais dele quando estava acima dos partidos. 60% dos eleitores são contra a sua candidatura por este ou aquele partido. A plataforma centrista que poderá liderar recolhe apenas entre 9,4% e 15,4% das intenções de voto.

Pier Luigi Bersani, líder da esquerda italiana, é dado como o vencedor das eleições de Fevereiro com 30 a 35% das intenções de voto. E resta saber o que fará Silvio Berlusconi, que se diz candidato um dia e não candidato no outro. A campanha eleitoral em Itália vai começar.