Zona euro recua na extensão a Portugal das medidas aprovadas para a Grécia

Schäuble e Moscovici desaconselharam Governo português a tentar obter as mesmas condições atribuídas a Atenas.

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“Eu não gostaria de ser comparado com a Grécia”, diz Schäuble Thierry Charlier/AFP

Os países da zona euro assumiram ontem um recuo em toda a linha sobre a possibilidade de Portugal e a Irlanda virem a beneficiar das condições de suavização dos empréstimos europeus decidida na semana passada para a Grécia, considerando que o debate à volta desta questão está rodeado de um "mal-entendido".

Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro do Luxemburgo e presidente do eurogrupo, deu o dito por não dito no final de uma nova reunião dos ministros das Finanças do euro em que voltou a ser confrontado pela imprensa sobre a extensão a Lisboa e Dublin das novas condições definidas para Atenas. "Não tenho a impressão de que o eurogrupo esteja em condições de dar um tratamento semelhante, igual, a estes países", afirmou. "Vamos analisar, mas isto não é uma indicação de alguma coisa vai mudar", acrescentou.

Esta afirmação contrasta com a posição assumida pelo mesmo Juncker na passada segunda-feira depois da decisão dos ministros das Finanças sobre um novo pacote de medidas destinadas a reduzir a dívida grega, que incluem a extensão por 15 anos das maturidades dos empréstimos do fundo europeu de estabilidade financeira (FEEF), a redução de 0,1 pontos percentuais das respectivas comissões e a concessão de um período de carência de 10 anos dos juros associados.

À questão dos jornalistas sobre a extensão a Portugal e Irlanda destas medidas do FEEF, Juncker respondeu: "Tomámos uma decisão há mais de um ano de que as mesmas regras terão de ser aplicadas a outros países sob programa [de ajustamento] e isso será tratado numa próxima reunião" do eurogrupo. Juncker referia-se à decisão dos líderes da zona euro de 21 de Julho de 2011 que estendeu a Portugal e Irlanda a redução das taxas de juro dos empréstimos então decidida no quadro do FEEF para a Grécia.

A mesma posição foi assumida em Lisboa pelo ministro português das Finanças, Vítor Gaspar, e pelo primeiro-ministro Passos Coelho, que invocaram a mesma decisão de Julho de 2011 para justificar a concessão a Portugal das novas medidas gregas.

Confrontado ontem com a contradição das suas afirmações, o presidente do eurogrupo esclareceu que, na semana passada, foi surpreendido pelos jornalistas portugueses "num canto escuro" e "em condições desconfortáveis". "Percebi mal a pergunta porque nem sequer a ouvi", frisou.

Vítor Gaspar contrapôs ontem que tanto as afirmações do presidente do eurogrupo como as do primeiro-ministro são "inteiramente correctas" mas que "foram descontextualizadas de forma pouco cuidada". "A simplificação excessiva de assuntos complexos conduz inevitavelmente a mal-entendidos", afirmou.

Notícia actualizada às 8h12 de 4/12/2012