Greves prolongam-se há um mês

Associação Comercial de Lisboa pede requisição civil nos portos

Foto: Nuno Ferreira Santos
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Foto: Nuno Ferreira Santos

A Associação Comercial de Lisboa (ACL) insiste na necessidade de o Governo avançar com uma requisição civil para travar as greves nos portos nacionais e os seus impactos sobre a economia.

O presidente da associação, Bruno Bobone, garante que as greves, que se prolongam há um mês, causaram prejuízos superiores a mil milhões de euros.

Nesta quinta-feira cumpre-se mais um dia da paralisação faseada nos portos portugueses, com a perspectiva de um alargamento deste protesto até ao fim do mês, uma vez que foi emitido um pré-aviso de greve nesse sentido.

“Por mês, saem do porto de Lisboa 425 milhões de euros", disse Bruno Bobone à rádio TSF. "Se essas empresas vão prejudicar toda a actividade comercial, e todos os fornecedores e todos os trabalhadores vão sofrer com isso, estou a fazer uma avaliação bastante prudente", acrescentou o mesmo responsável,. concluindo por isso que o prejuízo "será, seguramente, mais do que isso [mil milhões]”.

Os prejuízos sentem-se, sobretudo, no porto de Lisboa. O presidente da ACL acusa o PCP e os sindicatos e garante que os estivadores, que promovem a greve, levam para casa, por mês, mais de cinco mil euros.

“O país está a sofrer enormemente com esta greve, que é promovida pela Intersindical e pelo Partido Comunista, e estão a aproveitar um momento de crise terrível para os trabalhadores portugueses, para os prejudicarem, criando ainda maior desemprego e desestruturando totalmente a economia portuguesa”, disse Bobone também à TSF.

“É uma vergonha o que se está a passar. É inaceitável. Isto tudo promovido por pessoas que ganham, mensalmente, acima dos cinco mil euros por mês, pessoas que não estão nada preocupadas com a desgraça dos seus parceiros portugueses”, garantiu.

O presidente dos Associação dos Portos de Portugal, José Luís Cacho, admite que há trabalhadores com ordenados a cinco mil euros por mês. Mas ressalva que isso acontece no sector privado e está longe de ser a regra.

“Alguns trabalhadores usufruem de ordenados dessa ordem de grandeza. Naturalmente, não são todos. Os mais novos, naturalmente, recebem um ordenado inferior. São trabalhadores de empresas privadas, não são trabalhadores do Estado. De empresas de operação portuária. No caso de Lisboa, da Liscont e de outras empresas que operam nos portos. Portanto, são operadores portuários, são empresas privadas”, explicou também à TSF.

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