Energia

Défice tarifário na electricidade acima dos 800 milhões de euros em 2013

"Numa área em que se mexe com muito dinheiro não é fácil cortar em nada", afirma o secretário de Estado da Energia
Foto
O secretário de Estado Artur Trindade defende que a lei aumenta a transparência dos preços de venda dos combustíveis Pedro Cunha

O défice tarifário no sistema eléctrico nacional, que se irá reflectir no aumento da dívida do sector a pagar por todos os consumidores nas facturas de energia, irá atingir “800 milhões de euros” só em 2013, avisou hoje o secretário de Estado da Energia, Artur Trindade.

Num encontro com empresários em Leiria, Artur Trindade sublinhou, citado pela Lusa, que “o problema é tão grave que ainda nem começámos [consumidores] a pagar” a dívida tarifária, que no próximo ano deverá chegar ao total de 3,7 mil milhões de euros.

O secretário de Estado salientou ainda que o Governo se tem esforçado para cortar nas “rendas excessivas”, num total de cerca de 200 milhões de euros que deverá ter impacto já nas facturas de electricidade a pagar durante o próximo ano.

O aumento de preços na factura eléctrica, ontem proposto pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), deverá ser de 2,8% no início de Janeiro para cerca de 5,1 milhões de consumidores domésticos que se mantêm fora do mercado liberalizado.

De acordo com um comunicado enviado ontem pelo Ministério da Economia, as várias medidas que foram tomadas para aliviar um maior aumento de custos nesta área permitiram evitar um aumento dos preços superior a 11%. Entre estas medidas estão cortes nos apoios à produção, mas também o adiar de um pagamento de 163 milhões de euros relativos a ajustamentos de custos para 2011, que deverá recair sobre os consumidores em 2014.

Durante o encontro com empresários, Artur Trindade apontou ainda o dedo às políticas anteriores no sector, nomeadamente a definição das políticas de apoio às energias renováveis e à cogeração, que “cresceram à custa de subsídios tarifários”.

O secretário de Estado defendeu ainda, de acordo com a Lusa, que as negociações se mantêm com vários agentes ligados à produção energética “porque o processo não é estático" e numa área em que “se mexe com muito dinheiro não é fácil cortar em nada”. “Para cada advogado que o Estado arranja, eles [agentes do sector] contratam 10”, afirmou.