CGTP e movimentos cívicos querem uma multidão no Terreiro do Paço

Ainda que de olhos postos na administração pública e nos grandes sectores de actividade, a CGTP assume a bandeira de querer ultrapassar aquilo que é o seu universo típico.

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Concentração da CGTP será reforçada por movimentos cívicos Nuno Ferreira Santos

Unidos contra as políticas do Governo e da troika, estarão ao lado da maior central sindical do país activistas da manifestação do passado dia 15 de Setembro, do Movimento 12 de Março (M12M), do Movimento sem Emprego (MSE) ou do movimento “Acordai”.
Ao PÚBLICO, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, reconhece como positiva a participação de diversas plataformas. “Valorizamos uma grande unidade na acção e fazemos um apelo à participação de todos. Esta manifestação procura dar espaço a todos os que estão contra as políticas de direita e da
troika e que exigem um novo rumo para o país. Todos são bem-vindos e serão recebidos de braços abertos”, diz.
Desta vez, a CGTP assume a bandeira de querer ultrapassar aquilo que é o seu universo típico. Ainda que de olhos postos na administração pública e nos grandes sectores de actividade, como são por exemplo os transportes e a indústria, mas também nos reformados e pensionistas, os mais de 10 mil delegados sindicais envolvidos na manifestação, assim como dois a três mil dirigentes da CGTP, não descuram o que já não podem controlar.

E se continuaram a privilegiar o contacto directo com os trabalhadores nos seus postos de trabalho e se desdobraram na realização de plenários e sessões de esclarecimento nas duas últimas semanas, sabem que a associação dos jovens promotores de iniciativas no Facebook e na rua é uma mais-valia. “Há uma aposta muito grande na população em geral. Não se controla o Facebook. O que verificámos em relação às redes sociais é que houve uma difusão massiva que não acontecia antes em relação às nossas manifestações. A consulta ao site da CGTP passou para 300 a 400 mil visitas numa semana”, explica Armando Farias, membro da Comissão Executiva da CGTP.Também João Labrincha, membro do M12M, considera que “vai estar muita gente”. “Tenho recebido mensagens de pessoas fora de Lisboa que estão a ponderar apanhar os autocarros da CGTP. Pessoas que normalmente não viriam, que não vieram ao 15 de Setembro e que vêm agora”, diz.

Já João Camargo, um dos promotores da manifestação “Que se Lixe a Troika, queremos as nossas vidas de volta”, partilha as reivindicações da central sindical, mas assume que os protestos continuam a estar direccionados para a
troika. O movimento considera que “o povo já deu unanimemente uma moção de censura ao Governo”.
Ana Rajado, porta-voz do Movimento Sem Emprego (MSE), explica que a plataforma assegura propaganda própria e distribuirá cerca de dez mil panfletos com as exigências do movimento. “Lutamos pela redução do horário de trabalho sem redução salarial e queremos o retorno de todos os direitos, dos subsídios cortados injustamente”, afirma.

Apesar de estar alheio às reivindicações da CGTP, o movimento “Acordai” aposta em pôr o máximo número de pessoas a entoar a música de Fernando Lopes-Graça e José Gomes Ferreira. Para isso, serão distribuídos panfletos com o poema, que será entoado às 15 horas, no Terreiro do Paço, e às 19h45, nas arcadas do Teatro D. Maria II.

Durante esta semana, Arménio Carlos assumiu esperar que a manifestação deste 29 de Setembro fosse “uma das maiores de sempre”, “uma imensa multidão” contra o Governo e contra a
troika . Mas nos bastidores da central sindical não se fazem prognósticos. Esperam que seja maior do que a de 15 de Setembro? “Não sabemos”. Mas gostavam? “Com certeza, mas não se deve fazer esse tipo de comparações. A Taxa Social Única (TSU) foi um clique, mas há um processo de consciencialização anterior. Para nós, o importante é a participação das pessoas e ganhar consciências”, explica Farias.
O apelo a uma participação massiva, feito por parte de vários movimentos cívicos, nomeadamente os promotores do protesto de 15 de Setembro, é uma vantagem para extrapolar a massa dos manifestantes da CGTP. Mas também aumenta a possibilidade de imprevistos. Se a CGTP tem estudado ao pormenor o mapa da praça e as organizações de todo o país sabem onde se deverão posicionar no recinto, não haverá, no entanto, lugar destacado previamente pela central sindical para estes manifestantes, assim como para quem espontaneamente se associar.

Referindo uma boa colaboração entre a organização da manifestação e a polícia, a CGTP avança que desconhece os planos definidos pelas forças de segurança para o Terreiro do Paço. Mas a própria central sindical tem dezenas de activistas destacados para fazer a segurança dos participantes, instruídos para prevenirem “situações estranhas que possam desestabilizar”.

“Aumenta o nível de descontentamento, de indignação e de revolta das pessoas. Há um ano o Governo assumiu que a resolução dos problemas do país passava pela aplicação do memorando da
troika. Os trabalhadores do sector público e privado perderam mais de dez por cento do poder de compra. A austeridade em cima de austeridade gera o empobrecimento do país. Este é o momento certo para responder contra a TSU e contra muitas outras medidas. Vamos ter uma grande manifestação”, diz ao PÚBLICO Arménio Carlos.
Está previsto que o secretário-geral discurse pelas 16h, estando agendados concertos de Janita Salomé e de os “Homens da Luta”. A CGTP prepara-se para desmobilizar a partir das 17h.