Duas pacientes

Primeiro transplante de útero de mãe para filha realizado na Suécia

Médicos envolvidos na cirurgia, durante uma conferência de imprensa
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Médicos envolvidos na cirurgia, durante uma conferência de imprensa Reuters

O comunicado da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, relata uma delicada operação a duas mulheres que receberam os úteros das suas mães, realizada este fim-de-semana e que envolveu dez cirurgiões. O sucesso só será reclamado se as pacientes conseguirem engravidar após um ano sob observação.

Uma equipa de especialistas da Universidade de Gotemburgo e do Hospital Universitário Sahlgrenska, na Suécia, anunciou esta terça-feira que foi realizado o primeiro transplante de útero mãe-filha, sem registo de complicações até ao momento. Segundo o comunicado, o complexo procedimento terá sido feito a duas mulheres que receberam os úteros das suas mães. Uma das pacientes tinha sido forçada a remover o útero na sequência de um cancro e a outra nascera sem útero. Sem fornecer dados detalhados sobre estas mulheres, os especialistas referem apenas que estão na casa dos 30 anos e que foram alvo de tratamentos de fertilização antes do transplante.

O mesmo comunicado afirma que estas operações são resultado de mais de uma década de investigação da universidade sueca com colaboração internacional. “Mais de dez cirurgiões, que treinaram este procedimento juntos ao longo de vários anos, participaram na complicada cirurgia”, refere Mats Brännström, professor de Obstetrícia e Ginecologia na Universidade de Gotemburgo.

O médico acrescenta ainda que as duas mulheres que receberam o novo útero “estão bem mas cansadas” após a cirurgia e que as mães que doaram os órgãos “estão a pé e deverão receber alta nos próximos dias”. Segundo um cirurgião citado pela Associated Press, o sucesso desta intervenção só será proclamado se estas duas mulheres conseguirem engravidar, como desejam.

O transplante de útero é uma resposta que tem sido “prometida” há alguns anos e que poderá ser uma importante alternativa para a adopção ou os chamados úteros de substituição (barrigas de aluguer) de mulheres que, por exemplo nasceram sem útero ou sofreram cancro que as afectou de forma irreversível.

No ano passado foi notícia a realização de um transplante de útero na Turquia, mas não existia qualquer relação de parentesco entre dador e receptor. Sobre este caso, até agora não foi divulgado mais nenhum progresso, nomeadamente se a mulher já está a fazer tratamentos de fertilidade. Em 2000 também foi relatado um transplante de útero na Arábia Saudita mas, devido a complicações relacionadas com o fornecimento de sangue, o órgão acabou por ser removido três meses depois da cirurgia.

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