Bernard Arnault, o homem mais rico de França quer ser belga e não diz porquê

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Bernard Arnault François Guillot/AFP

Em comunicado emitido depois de o jornal belga La Libre Belgique ter noticiado ontem o pedido de naturalização, Arnault confirmou que solicitou a dupla nacionalidade franco-belga mas negou veementemente que pretende obter um “exílio fiscal”. "Bernard Arnault sublinha que é e continuará a ser um residente fiscal francês", é afirmado no comunicado.

Os media franceses reagiram, porém e prontamente, associando a requisição ao facto de o Governo socialista de François Hollande ir decidir na próxima semana a forma detalhada como irá cumprir a promessa eleitoral de aumentar para 75% as taxas de imposto sobre os rendimentos dos contribuintes singulares que ganhem mais de um milhão de euros por ano (ou de dois milhões se for um casal).

O processo – que garante manter em confidencialidade as razões do requerente – está agora na mesa da comissão de naturalizações, a qual irá investigar se o candidato, proprietário de uma casa em Bruxelas (além da de Paris) e numerosos investimentos também na Bélgica, possui os requisitos para poder gozar do estatuto de cidadania no país. O presidente da comissão, Georges Dallemagne, sublinhou ao La Libre Belgique, que o caso de Arnault, submetido na semana passada, “será tratado como todos os outros”, frisando que estão actualmente em avaliação 47 mil pedidos de naturalização.

“Um candidato à naturalização [belga] deve ter mais de 18 anos, provar ter residência na Bélgica há mais de três anos e, faltando isso, demonstrar possuir ligações verdadeiras e duradouras com a Bélgica. Há também que verificar se não existem infracções penais, nem nada de assinalável junto da procuradoria-geral, da segurança de Estado, dos serviços de estrangeiros e das instâncias judiciais", explicou.

Bernard Arnault, de 63 anos, é o mais bem pago patrão de França, com 10,7 milhões de euros ganhos em 2011 no conjunto de rendimentos fixos, remuneração variável e valores em bolsa, e foi classificado no ranking dos mais ricos pela revista Forbes em 2012 como detentor da quarta maior fortuna no mundo (uns estimados 41 mil milhões de dólares). É o homem mais rico de França e também da Europa, suplantado a nível mundial apenas pelo mexicano Carlos Slim (69 mil milhões), e os norte-americanos Bill Gates (61 mil milhões) e Warren Buffet (44 mil milhões).

Oriundo do Norte da França, Arnault consolidou a sua fortuna ao tornar-se em 1989 no principal accionista do grupo LVMH (proprietário das marcas de luxo Moët & Chandon, Cognac Hennessy, Louis Vuitton, Givenchy e Veuve Clicquot). Politicamente próximo do ex-Presidente Nicolas Sarkozy – a quem Hollande sucedeu – Arnault assume-se como um liberal e em 1981, após a vitória eleitoral da esquerda em França, mudou-se para os Estados Unidos, onde viveu durante três anos, não deixando de pagar os impostos em França.