Relatório da CMVM

Gestores acumulavam, em média, cargos executivos em oito empresas em 2010

O regulador alerta para a “dispersão da capacidade de gestão” por causa da acumulação de cargos
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O regulador alerta para a “dispersão da capacidade de gestão” por causa da acumulação de cargos Foto: Daniel Rocha

Os administradores executivos das empresas cotadas na bolsa de Lisboa em 2010 acumulavam, em média, o cargo com funções executivas em oito empresas de dentro ou de fora do grupo.

As contas são da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que esta terça-feira revelou o relatório sobre o governo das sociedades cotadas, relativo a 2010, dando ainda conta de dezenas de responsáveis que acumulavam lugares de administração (com ou sem funções executivas) em 30 ou mais empresas.

O regulador identificou 17 gestores nesta situação concreta, “havendo um caso de um administrador que pertencia ao órgão de administração de 73 empresas” – a identidade deste gestor não é revelada no relatório. Em situação diferente, 55 responsáveis, cinco dos quais com funções executivas, afirmaram “desempenhar cargos apenas na sociedade”. Os números são divulgados sem particularizar as empresas e as pessoas em causa.

A CMVM analisou a participação tanto dos administradores que exercem funções executivas como aqueles que têm assento como não-executivos nos órgãos de administração. Há casos distintos: por exemplo, executivos que acumulam esse cargo com funções, também executivas, noutras sociedades, e gestores com uma função executiva que têm assento noutras administrações, mas sem função executiva.

Neste último caso, e independentemente de o fazerem a tempo inteiro ou parcial, a média baixa para 3,5 cargos noutras empresas. A instituição liderada por Carlos Tavares alerta para as “consequências no desempenho das funções para com a sociedade cotada resultantes de uma dispersão da capacidade de gestão por um número muito expressivo de cargos”.

A situação mais comum é a de responsáveis que desempenhavam funções em várias administrações: 37% dos que integravam comissões executivas e conselhos de administração executivos “também exerciam funções executivas em empresas de fora do grupo”.

Em média, os executivos acumulavam lugares de administração em 11,9 sociedades de dentro e de fora do grupo (com ou sem funções executivas).

A CMVM dá ainda conta de que menos de 6% dos cargos de administração das cotadas eram exercidos por mulheres. Em 440 cargos, 414 eram ocupados por homens.

As remunerações médias atribuídas aos executivos totalizavam 449,3 mil euros, contra 513 mil em 2009. Vinte e um receberam mais de um milhão de euros, “tendo o valor máximo sido de 1,42 milhões de euros”.