Previsões económicas

Católica admite esforço de consolidação orçamental em 2013 superior ao previsto

O Governo e a troika apontam a meta do défice de 2013 para os 3%
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O Governo e a troika apontam a meta do défice de 2013 para os 3% Foto: Daniel Rocha

A esta distância, não arrisca metas, mas alerta para as incertezas em relação às contas públicas no próximo ano. O Núcleo de Estudos de Conjuntura sobre a Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica admite que o esforço de consolidação orçamental em 2013 possa ser “superior ao actualmente previsto” e que as dificuldades de financiamento da economia se mantenham. Para este ano, aponta para uma queda do PIB menos actuada do que o Governo.

Na folha trimestral de conjuntura hoje divulgada, o núcleo de estudos continua a prever uma recessão para o próximo ano, mantendo uma projecção de contracção de 0,9% da actividade económica.

A instituição sublinha, porém, que esta é uma previsão feita com um intervalo de tempo “muito amplo” e que tem em conta as “incertezas associadas ao esforço de consolidação orçamental necessário no próximo ano (provavelmente superior ao actualmente previsto), ao eventual prolongamento das dificuldades de financiamento da economia e à evolução da crise da dívida soberana na zona euro”.

Nesta leitura, sublinha, é preciso ter em conta a envolvente externa: os riscos económicos associados ao ambiente político na moeda única, a pressão dos mercados ou a evolução da situação em Espanha.

“Os próximos passos deverão requerer ainda compromissos exigentes e criar alguma tensão adicional, nomeadamente no caso espanhol onde parece não estar ainda devidamente aceite a questão da condicionalidade. Enquanto persistir esta incerteza é natural que se mantenha a desconfiança dos mercados e dos agentes económicos, o que continuará a influenciar negativamente o cenário económico, já moderadamente recessivo, da zona do euro, agravando também as perspectivas para as exportações portuguesas e para o crescimento da economia nacional”, sustenta o NECEP.

É neste quadro de incerteza, aliás, que o núcleo deixa de ser a instituição com a previsão mais pessimista para a economia portuguesa em 2013, depois de outras instituições internacionais terem agravado as suas projecções.

Sobre 2012, o cenário é mais optimista agora do que o registado pelo NECEP na anterior folha trimestral de conjuntura. Reviu em baixa a previsão de recessão, para 2,7%, justificando uma recessão “menos acentuada” do que a anterior (um queda do PIB de 3,2%) com a “evolução favorável do primeiro trimestre”.

Entre Janeiro e Março, o NECEP calcula que a economia caiu 2,2%, enquanto para os três meses seguintes estima ter havido uma contracção da actividade de 3%, que retoma a “tendência recessiva”. Nota que a contracção da economia sofre “com as medidas de consolidação orçamental” e a “conjuntura externa enfraquecida”. E é neste contexto que adverte para a eventual necessidade de ser preciso um esforço orçamental superior ao estimado para 2013 para o Governo atingir a meta do défice de 3%.