Espanha pagou o dobro e o triplo para se endividar a curto prazo

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Têm sido os bancos espanhóis a assegurar o financiamento do Estado Foto: Susana Vera/ Reuters (arquivo)

Para obter 1600 milhões de euros a três meses, o Estado espanhol pagou 2,363%, quase três vezes mais (179%) que os 0,846% pagos na emissão anterior com o mesmo prazo, a 22 de Maio.

Na emissão de títulos a seis meses, foram obtidos 1480 milhões de euros, mas pagando um juro de 3,237%, isto é, mais 86% do que na emissão precedente, também a 22 de Maio.

As taxas pagas nesta terça-feira nestes dois prazos são as mais elevadas desde Novembro, frisa a Reuters, antes da injecção maciça de liquidez nos bancos da zona euro pelo BCE a três anos e com juros reduzidos, o que fez baixa os juros italianos e espanhóis, que tinham atingido máximos históricos e níveis insustentáveis a prazo.

Estes valores estão próximos dos que estavam a ser praticado nos mercados secundários, nos quais, pelas 10h40 de Lisboa, a taxa a três meses subia para 2,290% e a taxa a seis meses subia para 3,359% – estando no entanto muito distantes dos máximos de respectivamente 6,553% e 6,822% registados no final de Novembro do ano passado.

O montante colocado ficou um pouco acima do limite máximo do intervalo indicativo anunciado (que ia de 2000 milhões a 3000 milhões) e, do ponto de vista da procura a operação de hoje não correu mal, apesar de ela ter sido inferior à das emissões anteriores. A procura a três meses representou 2,6 vezes a oferta, face a 3,9 vezes antes, e a seis meses foi de 2,8 vezes, face a 4,3 vezes.

A colocação da dívida do Estado espanhol tem no entanto estado a ser assegurada sobretudo pelos bancos do país vizinho, tal como acontecia em Portugal antes do empréstimo da troika, pois os investidores internacionais têm evitado a Espanha.