Desenvolvimento sustentável

Fórum português leva ideia de agência mundial da água à Rio+20

Preparação da  Conferencia Rio+20
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Preparação da Conferencia Rio+20 Ricardo Moraes/Reuters

Criar uma Agência Mundial da Água em Lisboa é uma das quatro recomendações que serão levadas à conferência Rio+20 pelo Fórum Mundial Lisboa 21, iniciativa que reúne dezenas de instituições para debater os desafios do Ambiente, foi anunciado nesta terça-feira.

Na mala dos representantes do Fórum Mundial Lisboa 21 que estarão presentes na Rio+20, conferência que decorrerá de 20 a 22 de Junho, seguem também as recomendações de criar de um centro Mundial de Desenvolvimento Sustentável, incluir a Cultura como um quarto pilar da Sustentabilidade – além da Economia, Ambiente e Sociedade – e promover a alteração de paradigma sobre qual está construído o mundo.

Estas sugestões, apresentadas ontem na Universidade Católica de Lisboa, são o resultado dos trabalhos do Fórum que reuniu cerca de 650 pessoas em Outubro de 2011 na Sociedade de Geografia de Lisboa e que tem um organismo semelhante em Espanha, o Fórum Soria 21 para o Desenvolvimento Sustentável.

Don Amalio de Marichalar, presidente do Fórum espanhol, esteve presente no evento de ontem em Lisboa e considerou que a possível integração da Cultura como pilar da sustentabilidade “é reforçada pelas ligações [internacionais] que podem ser criadas através da língua portuguesa”. O responsável defendeu ainda Portugal como uma boa escolha para a localização da Agência Mundial da Água, e não deixou de sublinhar os exemplos de sustentabilidade, a pequena escala, em terras lusas.

“É preciso o envolvimento da sociedade civil e das empresas na avaliação do seu capital natural como estratégia diferenciadora”, disse o secretário de Estado do Ambiente, Pedro Afonso de Paulo, também presente no Fórum. “Aproximamo-nos de uma ruptura de ecossistemas, do actual modelo de desenvolvimento e dos choques energético, das matérias-primas e da segurança alimentar. Água, energia e segurança alimentar, a par das tensões geopolíticas e da crise mundial, podem ser foco de conflitos no futuro. E tal pode acontecer num prazo de 15 a 20 anos”, comentou.

Para o secretário de Estado do Ambiente, a “Cimeira Rio+20, onde o Fórum marcará presença, não é uma conferência ambiental, mas sim de debate para o desenvolvimento do novo modelo económico”. Tanto mais que, lembrou, “estamos tão focados na crise económico-financeira que não vemos que o mundo se aproxima de uma outra ainda maior. O actual nível de tecnologia e desenvolvimento económico não vai permitir manter os níveis de bem-estar de hoje”.

O Fórum Mundial Lisboa 21, criado para promover a consciência ambiental para a sustentabilidade – nomeadamente nas áreas da água e energia –, vai voltar a reunir-se em Novembro, desta vez no Porto. O encontro será dedicado às cidades e ao desenvolvimento sustentável, procurando aplicar as conclusões da conferência Rio+20.