Biodiversidade

Cientistas encontram pela primeira vez no Algarve mexilhão nativo de África

Mexilhão castanho isolado no centro de um aglomerado de mexilhões azuis em Vilamoura em 2011
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Mexilhão castanho isolado no centro de um aglomerado de mexilhões azuis em Vilamoura em 2011 CCMAR

Um grupo de investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) descobriu no Algarve, pela primeira vez, o mexilhão castanho, espécie nativa de África.

Os animais, da espécie Perna perna, foram detectados em Julho de 2011 pela investigadora Carla Lourenço na zona de Vilamoura e Ilha do Farol, “tendo sido a primeira vez que este mexilhão foi encontrado nas zonas costeiras Atlânticas que banham o continente europeu”, segundo um comunicado da Universidade do Algarve.

O mexilhão castanho é bem diferente da espécie abundante nas águas portuguesas, o mexilhão azul Mytilus galloprovincialis. Além da cor castanha, a forma das conchas do mexilhão de África é diferente, escrevem os autores do artigo publicado em Abril, na revista Marine Biodiversity Records.

Segundo os investigadores, o mexilhão castanho tem, por enquanto, uma “baixa densidade”, com populações marginais, ocorrendo “onde as condições ecológicas são menos favoráveis”. Já em África, é uma espécie comercializada e bastante abundante e também está presente em Omã, Sri Lanka e Sul da Índia, tendo sido introduzida no continente americano.

“Tendo em conta o aquecimento global e o aumento da temperatura da superfície do mar, a espécie terá expandido a sua distribuição para o continente europeu a partir do anterior limite norte da sua distribuição africana, na zona costeira de Marrocos”, sugerem os autores do estudo.

Os investigadores pretendem agora monitorizar a evolução da espécie para compreender o seu impacto nas costas portuguesas.