Enviada sonda para o interior do reactor 2

Detectados níveis letais de radioactividade em Fukushima

Ainda é cedo para dizer se os trabalhos de desmantelamento da central nuclear
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Ainda é cedo para dizer se os trabalhos de desmantelamento da central nuclear Tepco

Níveis extremamente elevados de radioactividade, que podem ser letais, foram detectados nesta terça-feira no reactor 2 da central nuclear de Fukushima, no Japão, revela a Tepco, operadora da central.

Um equipamento colocado directamente no interior do reactor 2 registou 72,9 sieverts de radioactividade, um nível que pode causar a morte a um ser humano em apenas sete minutos de exposição.

A Tepco (Companhia de Electricidade de Tóquio), que fez esta medição pela primeira vez desde o acidente que danificou a central a 11 de Março de 2011, acrescentou que os níveis de radioactividade aumentaram à medida que o equipamento de medição se aproximava do núcleo do reactor. O nível mais elevado de radioactividade foi registado a quatro metros do fundo do reactor. Perante os dados obtidos, a Tepco confirma que o combustível nuclear se fundiu e que está acumulado no fundo do vaso de contenção.

Além disso, a empresa informou que o nível de água dentro desse vaso de contenção – que mantém o núcleo do reactor arrefecido – é agora de apenas 60 centímetros, quando inicialmente seria de três metros. Este dado causou surpresa, tendo em conta a quantidade de água que está a ser injectada para o reactor a fim de evitar temperaturas elevadas. A Tepco suspeita que a câmara que protege o núcleo do reactor está destruída e com fissuras por onde a água está a escapar, noticia a estação japonesa de televisão NHK.

O reactor 2 é um dos três da central Fukushima onde se registou a fusão do combustível nuclear depois do tsunami de 11 de Março de 2011 no Japão, que destruiu os sistemas de arrefecimento da central, causando um perigoso aumento das temperaturas nos reactores.

O porta-voz da Tepco, Junichi Matsumoto, disse à agência Kyodo que ainda é cedo para dizer se esta situação vai afectar os trabalhos de desmantelamento da central de Fukushima. “Um desafio importante é a resistência à radioactividade... Se queremos usar aparelhos electrónicos dentro do vaso de contenção, precisamos de os proteger dos elevados níveis de radioactividade”, disse Matsumoto em conferência de imprensa.

Apesar de ter passado mais de um ano desde o acidente na central de Fukushima, o mais grave desde a catátrofe de Tchernobil, na Ucrânia, em 1986, as autoridades continuam a detectar níveis de contaminação radioactiva. Hoje a cidade de Chiba identificou níveis de césio radioactivo de 250 becquerels por quilo numa exploração agrícola a 200 quilómetros de Fukushima que abastece o mercado alimentar. Segundo a estação NHK foram registados 180 bequerels de césio radioactivo em rebentos de soja num outro local da mesma região. Estes níveis são superiores ao novo limite definido pelo Governo japonês de 100 becquerels por quilo, que entra em vigor em Abril.

No último ano, as autoridades nipónicas já condicionaram a venda de vários alimentos produzidos na província de Fukushima, nomeadamente legumes e leite, por causa dos níveis de radioactividade.