Governo antecipa perdas de 150 milhões na greve

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CP assegura 294 comboios ao longo do dia de quinta-feira Foto: Pedro Melim

No Parlamento, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, apontou que as empresas de transportes públicos registaram prejuízos superiores a 30 milhões de euros com o conjunto de greves de 2011. E afirmou que a paralisação de quinta-feira terá um impacto de 150 milhões na economia nacional, embora sem explicar como chegou a estes números.

Os efeitos da greve começam a fazer-se sentir esta noite, quando estão já em vigor as novas tarifas nos transportes públicos (o terceiro aumento no espaço de um ano). É contra as medidas concretizadas ou anunciadas pelo Governo no quadro da reestruturação das empresas públicas que os sindicatos estão em protesto, do encerramento de serviços ao despedimentos que em alguns casos vai implicar.

Os sindicatos não arriscam estimativas de adesão à greve. José Manuel Oliveira, coordenador da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações, diz esperar um “máximo” de participação, tendo em conta as preocupações conjuntas do sector. Mas não concretiza números, reconhecendo, ao mesmo tempo, que as empresas se organizaram para diminuir o impacto da greve.

A CP só garante 294 comboios, em vez das 1469 ligações que se realizam num dia útil sem perturbações. Para cumprir os 20% de serviços mínimos decretados pelo Tribunal Arbitral, a transportadora vai realizar 12 comboios Intercidades (não circulará nenhum Alfa Pendular).

Nas linhas urbanas de Lisboa, as que transportam em média mais passageiros por dia (307.008), só estão garantidos 148 comboios, quando, num dia de circulação normal, a CP realiza 739 comboios.

No Porto, a empresa garante 60 comboios ao longo do dia, contra os 280 num dia sem perturbações. Nos comboios regionais, estão assegurados 72 percursos, contra os 376 feitos num dia normal.

Em Lisboa, a paralisação no metro é também de 24 horas. Sem serviços mínimos garantidos, as estações deverão encerrar por motivos de segurança, estando previsto que a circulação só seja retomada na sexta-feira.

A Carris, que assegura o transporte de autocarros na capital, só está obrigada a efectuar metade do serviço em 13 carreiras: 12, 36, 703, 708, 735, 738, 742, 751, 755, 758, 760, 767 e 790. É o equivalente aos 13% de serviços mínimos estabelecidos pela entidade de arbitragem do Conselho Económico e Social.

Os autocarros do Porto vão também sofrer perturbações. Apenas nove carreiras da STCP deverão circular com normalidade: 10, 55, 61, 64, 68, 69, 70, 94 e ZR.

As ligações fluviais no rio Tejo, asseguradas pela Transtejo e a Soflusa, vão ter menos 139 barcos do que num dia normal. A paralisação dura três horas por turno por cada trabalhador.