Australianos estão detidos a bordo de um navio nipónico

Japão vai libertar os três activistas em greve de fome contra caça às baleias

Os três activistas ainda a bordo de Steve Irwin, da organização Sea Shepherd
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Os três activistas ainda a bordo de Steve Irwin, da organização Sea Shepherd Sea Shepherd/Reuters

Os três australianos que estão detidos e em greve de fome num navio japonês, em protesto contra a caça às baleias, no oceano Austral serão libertados, disse nesta terça-feira a primeira-ministra australiana, Julia Gillard.

A caminho do navio japonês “Shonan Maru 2” já está um navio australiano para onde serão transferidos os três homens da organização Forest Rescue. Gillard garantiu que não serão levados a tribunal.

Na noite de sábado, Geoffrey Tuxworth (47 anos), Simon Peterffy (44 anos) e Glen Pendlebury (27 anos) lançaram-se às águas num bote pneumático e conseguiram subir a bordo do “Shonan Maru 2”, parte da frota nipónica que caça baleias naquele oceano, a 26 quilómetros das costas ocidentais da Austrália. Segundo a australiana ABC, o trio queria assim impedir que o navio japonês perseguisse o “Steve Irwin”, barco da organização ecologista Sea Shepherd para luta contra a caça à baleia naquele oceano pelo Japão.

“Agradecemos ao Governo japonês pela sua cooperação neste assunto”, disse um porta-voz de Gillard. “Actividades do tipo da que foi realizada por estes três activistas são inaceitáveis. Ninguém deverá assumir que, só porque chegámos a acordo com o Governo japonês desta vez, não haja condenações no futuro”, acrescentou.

A Austrália opõe-se à caça anual à baleia pelo Japão no oceano Austral, mas considera que a única forma de travar esta actividade é através de um tribunal internacional. No ano passado, Camberra apresentou queixa contra o Japão no tribunal de Haia e uma decisão é aguardada para 2013.

Todos os anos, o Japão organiza campanhas de caça à baleia sob o pretexto da “investigação científica” sobre estes cetáceos, aproveitando uma excepção à moratória imposta pela Comissão Baleeira Internacional desde 1986. Os países defensores das baleias e organizações ecologistas denunciam esta prática como uma caça comercial disfarçada.