Negociações em Janeiro

Grécia admite entrada em bancarrota se não tiver avaliação positiva da troika

Lucas Papademos é primeiro-ministro da Grécia desde Novembro
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Lucas Papademos é primeiro-ministro da Grécia desde Novembro Foto: François Lenoir/Reuters

O Governo grego dramatizou hoje a dependência do país face aos credores internacionais, ao avisar que pode entrar em incumprimento da dívida se não conseguir a aprovação do plano de ajustamento até 2015.

O cenário de uma entrada em incumprimento foi admitido pelo próprio primeiro-ministro, Lucas Papademos, revelando os receios do executivo sobre o agravamento da crise grega, quando se aproxima mais um exame da troika à implementação das medidas de ajustamento financeiro.

O início do ano começou com um porta-voz do Governo a advertir, ontem, para a inevitabilidade de a Grécia sair da zona euro se não conseguir dos credores internacionais luz verde para receber o envelope financeiro que lhe permite assegurar os seus compromissos. A ideia contraria o discurso mais optimista revelado em Novembro pelo primeiro-ministro, quando Papademos foi anunciado o novo chefe do Governo, e nessa altura afastou qualquer cenário de saída da Grécia da moeda única.

Mas, desta vez, deixou um outro alerta mais amargo, feito por carta às centrais sindicais e patronais gregas: não exclui um cenário de entrada em bancarrota, se o país não conseguir dos credores internacionais um acordo durante as negociações com as missões da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“A implementação do acordo para reduzir a dívida e a continuidade do financiamento do país está dependente disso. Sem este acordo com a troika e o financiamento subsequente, a Grécia enfrenta, em Março, o risco imediato de incumprimento desordeiro”, lê-se na carta, que a agência Bloomberg cita.

As negociações com a troika começam em meados de Janeiro e vão centrar-se na definição de um “plano de ajustamento económico credível de 2012 a 2015”, espera Papademos. Terminadas as negociações, cabe à Comissão Europeia e ao FMI pronunciarem-se, actualizando o Memorando de Entendimento negociado em Maio de 2010, e aprovar, ou não, a libertação de uma nova tranche do financiamento externo.

Pela frente, o Governo tem para um cumprir um ambicioso plano de privatizações – aquilo que a troika considera ser um dos pontos mais atrasados do programa de ajustamento –, avançar com novos cortes nas pensões e introduzir novas reformas no mercado de trabalho.

Ao mesmo tempo, as negociações para o perdão à dívida grega continuam de pé. O abate de cerca de 100 mil milhões de euros estabelecido em Outubro pelos líderes europeus ainda não está fechado e, segundo esperam os credores privados, um acordo definitivo pode ser concluído nos próximos dias.