Audição no Parlamento

Vítor Gaspar: “Não é tempo de alimentar conflitos e divisões”

Ministro pede para crise ser encarada como uma oportunidade de mundança
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Ministro pede para crise ser encarada como uma oportunidade de mundança Nuno Ferreira Santos/arquivo

Na véspera da greve geral, marcada para amanhã, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, veio defender que “não é tempo de alimentar animosidades, conflitos ou divisões”, nem de “concentrar a atenção em interesses particulares e corporativos”.

Numa audição na Comissão Eventual para o Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira a Portugal, o ministro referiu que o apoio do maior partido da oposição é visto pela troika como essencial para o sucesso do programa de ajuda externa e lançou um apelo à manutenção de um consenso político alargado.

“Devemos encarar esta crise como oportunidade de mudança, como o momento para fazermos reformas estruturais profundas”, defendeu.

O responsável reiterou que a maior parte do trabalho de ajustamento orçamental e económico encontra-se pela frente. “ O caminho é longo e os desafios futuros muito exigente”, avisou.

PS diz que Governo arrisca perder apoio político

Na sequência das declarações de Vítor Gaspar, o deputado socialista Fernando Medina elencou vários riscos ao programa de ajuda externa e colocou em primeiro lugar a redução do apoio político, dando a entender que o apoio do PS ao Governo não pode ser dado como certo.

“O senhor ministro não perde uma oportunidade de referir que há um apoio alargado ao programa”, mas “até parece que deseja que ele desapareça”, ironizou Fernando Medina, acusando o executivo de negociar com a troika sem consultar a comissão de acompanhamento e de não informar a mesma sobre as alterações às medidas de ajustamento orçamental. O primeiro risco ao programa de ajuda externa é, por isso, a redução do apoio político.

Em segundo lugar, Fernando Medina coloca o risco de fractura social, avisando que o “alastramento do sentimento de excesso” e, sobretudo, o “sentimento de injustiça” podem abrir brechas no apoio ao programa.

A estes dois riscos junta-se o risco económico. Para o deputado socialista, algumas opções de política do Governo – como o corte dos subsídios à função pública e pensionistas – podem provocar uma quebra mais acentuada da procura interna, e a procura externa corre também o risco de reduzir acima do previsto, devido à deterioração das estimativas de crescimento europeias. O quarto risco ao programa de ajuda externa é, segundo Fernando Medina, a dificuldade de os líderes europeus acordarem uma resposta conjunta e concertada à crise da dívida.

Notícia actualizada às 17h01
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