Crise

Supercomité do Congresso falhou acordo para reduzir o défice orçamental

O presidente Barack Obama manteve-se à margem da evolução das negociações
Foto
O presidente Barack Obama manteve-se à margem da evolução das negociações Kevin Lamarque/Reuters

O supercomité criado no Congresso norte-americano para encontrar uma solução para a redução do défice revelou ontem a impossibilidade de cumprir a tarefa. Os presidentes republicano e democrata do comité de 12 membros reconheceram que não conseguiram ultrapassar as divergências e chegar a um acordo.

O grupo de trabalho, criado no Verão, quando os Estados Unidos ameaçavam entrar em incumprimento, tinha até amanhã para apresentar um plano que, globalmente, permitisse reduzir o défice orçamental norte-americano em pelo menos 1,2 biliões (milhões de milhões) de dólares no espaço de 10 anos.

Mas ontem - atestando suspeitas que já vinham da noite de domingo -, confirmou-se que os congressistas não conseguiram aplanar divergências sobre as medidas a impor do lado da despesa e da receita. Este cenário de ruptura acontece num momento em que o défice da Administração dos Estados Unidos está a tocar os 15 biliões de dólares, praticamente o valor da riqueza (produto interno bruto) que o país criou no ano passado.

A situação vai ter consequências práticas na vida do país, isto porque na ausência de acordo avançam cortes automáticos no valor de 1,2 biliões de dólares. Os democratas não terão meios de prolongar no tempo um conjunto de medidas de estímulo económico, tais como o benefício fiscal aplicado aos rendimentos do trabalho, que termina no final do presente ano fiscal (Março de 2012), e o aumento dos impostos para os mais ricos. E os republicanos não terão condições para impedir o corte de 600 mil milhões de dólares previsto para a área da Defesa, a partir do início de 2013.

Isto porque não parece provável que uma iniciativa semelhante à da criação do supercomité possa surgir nos próximos tempos em Washington. O tempo político é de clara pré-campanha para as eleições presidenciais e legislativas do próximo ano, apesar dos avisos que alguns analistas vão deixando no terreno. "Como no caso dos políticos europeus, os políticos norte-americanos deveriam estar a fazer mais do que os investidores esperam, e não menos", sublinhou ontem, citado pela agência Reuters, Michael Gaspen. As palavras do economista-chefe do Barclays Bank reflectiam já o andamento dos mercados bolsistas, a acumularem perdas por causa das notícias da ruptura e da evolução da crise do euro.

O presidente Barack Obama, lembrava ontem a agência Reuters, manteve-se à margem da evolução das negociações no Congresso, evitando colisões num momento em que prepara a recandidatura à Casa Branca. É provável que, na ausência de um acordo, recupere as acusações de "obstrucionismo" que costuma dirigir aos republicanos.